Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

Meu coração chora

Paulo Paim*

Perdemos Mandela. O mundo silencia.  Procuramos respostas e não encontramos. As perguntas, dúvidas, angústias, os porquês estão por todos os lados, em cada gesto, em cada olhar.  Tentamos, de todas as formas, encontrar uma explicação para algo que não está em nossas mãos... Não compete a nós o sim ou o não.

O homem não aceita perder o convívio com seus entes queridos, com seus amados e amadas: ele se rebela. Mostra todo o seu egoísmo. Talvez porque não entenda que a vida aqui na terra é uma passagem e que cada um de nós tem uma missão.

A missão de Nelson Mandela foi a de cultivar um grande jardim, com flores, plantas e árvores cheinhas de frutos... regá-lo diariamente, sem desejar algo em troca. Podá-lo o necessário para abrir novos caminhos. Sua missão foi de cuidar, acarinhar, fazer o despertar das consciências.

Um jardim em que os homens sejam iguais entre os seus iguais. Em que a liberdade cante suas cantigas de ninar. Em que o beijo resgate a essência das relações humanas. E, em que o abraço conviva lado a lado com as pessoas, com suas diferenças, etnias, levando fé, respeito e esperança para o planeta que nos acolhe.

Esse foi Nelson Mandela – um africano de todas as cores e sabedoria. Um homem que teve a feliz missão de cultivar um grande jardim. Um líder na concepção da palavra.

Em todas as épocas da História, no seio de todos os grupamentos humanos, a figura dos líderes é cultuada e reverenciada.

O papel do líder é objeto de reconhecimento e admiração coletivos, quando apontam os melhores caminhos para alcançar os objetivos pretendidos, quando inspiram os companheiros nos momentos mais difíceis, mostrando, com seu exemplo, que apenas com desprendimento, persistência e muito esforço se conseguem superar os obstáculos no percurso.

Desde os tempos das narrativas bíblicas, contudo, os líderes que chegam a alcançar  dimensão mítica, convertendo-se em referência para seus povos, tendo seus nomes gravados de forma na História são aqueles que conduzem seus liderados ao longo das mais perigosas travessias, aqueles que demonstram visão, capacidade e força suficientes para encontrar o caminho que leva da escravidão à liberdade, da opressão a uma vida digna.

Mandela. Nós não podemos mais vê-lo. Mas de certa forma ele está entre nós... No ar que respiramos, no sol que queima nossa pele, na chuva, nas estrelas, no vento que agita a copa das árvores.

Ele está no choro das crianças que passam fome. Está no grito dos discriminados, dos excluídos, dos injustiçados. Mandela é água para quem tem sede de liberdade.  

Viva, Nelson Mandela! Sua vida, sua conduta... exemplos para a humanidade.

*Paulo Paim é senador pelo PT - RS

Tags: a alcançar, bíblicas, contudo, narrativas, os líderes, que chegam

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