Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

País - Sociedade Aberta

Livro, leitura, literatura e bibliotecas

Luiz Carlos Amorim*

Já existia, no Brasil, uma lei do livro, desde 2003. Tinha o número 10.753, e o objetivo era  instituir a Política Nacional do Livro e da leitura no país, sendo que uma de suas diretrizes mais importantes era, segundo o artigo 1º, inciso I, "assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro”, assim como fomentar e apoiar a produção, a edição, a difusão, a distribuição e a comercialização do livro; estimular a produção intelectual dos escritores e autores brasileiros, tanto de obras científicas como culturais; promover e incentivar o hábito da leitura; instalar e ampliar no país livrarias, bibliotecas e pontos de venda do livro.

Não foi bem o que aconteceu nos anos seguintes, e, em 2011, a presidente Dilma assinou o Decreto 7.559, que criava o PNLL (Plano Nacional do Livro e da Leitura), que consistia em estratégia permanente de planejamento, apoio, articulação e referência para a execução de ações voltadas para o fomento da leitura no país”. O objetivo do decreto, tendo em vista o disposto nos artigos 1, 13 e 14 da Lei n 10.753, era a democratização do acesso ao livro; a formação de mediadores para o incentivo à leitura; a valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor simbólico e  o desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional.

E tanto a lei quanto o decreto vigoraram a partir de suas publicações, mas nem uma nem outro obtiveram o cumprimento que deveriam. Tanto que no dia primeiro de outubro deste ano aconteceu uma audiência pública sobre políticas públicas de incentivo ao livro e à leitura, em Brasília, promovida pela Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados. O evento discutiu a construção de uma política de Estado para o livro, leitura, literatura e biblioteca, que institucionalize o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), o Fundo Setorial Pró-Leitura e o Instituto Nacional de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Isso foi o resultado de uma oficina que aconteceu nos dias 30 de setembro e 1 de outubro e que teve a audiência pública como parte integrante da agenda. O evento foi promovido pelo Ministério da Cultura, órgão governamental responsável pela proposta de construção de uma política de Estado para o livro e a leitura, em parceria com o Ministério da Educação.

A respeito da criação do Fundo Setorial Pró-Leitura e do Instituto Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, a promessa é que o primeiro servirá para financiar, e o segundo para executar, de forma mais específica, a política de Estado para o setor do livro e leitura. Será?

Será que agora a coisa vai? Muita promessa, lei, decreto etc já foram feitos para incentivar o hábito da leitura e melhorar o acesso ao livro, mas nem tudo é cumprido. Então, esperemos que realmente venha a existir uma política do livro e da leitura e que o PNLL, o Fundo Pró-Leitura e o Instituto Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas funcionem e realmente mostrem a que vieram. Precisamos, não é de hoje, que o acesso ao livro seja mais fácil, precisamos que haja mais incentivo para a leitura, precisamos que a escola tenha mais espaço no conteúdo programático para trabalhar a leitura. Simplesmente, porque a leitura é que possibilita nosso acesso à instrução, à cultura, à educação, à qualificação para que se possa ter qualidade de vida.

* Luiz Carlos Amorim é escritor. – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br 

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Comentários

1 comentário
  • Marcos Lucio Pinto

    Parece-me que querem o vinho antes de plantar as uvas. Sabe-se que a maioria dos estudantes das escolas públicas forma-se sem saber ler e escrever com destreza. Imagine então entender o que leem. Impossível.Tornam-se analfabetos funcionais. Como estas pobres criaturas poderão se interessar por livros, com tamanha incapacitação e dificuldade de entendimento? Que exemplo eles têm de leitores casa ou nas tevês? Primeiro precisa melhorar e muiiiiiiiiito o salário dos professores, as condições de ensino, as exigências curriculares e , a partir daí, pode-se começar a pensar em incentivar a leitura.

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