Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

País - Sociedade Aberta

Direção oposta

Jornal do BrasilTarcisio Padilha Junior

Se um sistema político não possui raízes, se é essencialmente superficial, é porque a liberdade, frágil em si mesma, não tem nenhum meio de manter-se e sobreviver aos perigos que a ameaçam, tanto fora como dentro do sistema.

Indiferente à própria sorte, aparentemente nosso sistema político exige o vazio para manifestar-se.

Todo mundo sabe que essa situação não se sustenta indefinidamente. Quando compreenderemos que não haverá destino político a menos que reencontremos em nós mesmos nossas antigas utopias?

No ponto em que as coisas se encontram só merecem interesse as questões de estratégia eleitoral. O apetite de poder se dispersa em múltiplas alianças, pequenas e grandes, que causam estragos.  Cultivando sistematicamente o equívoco em política, nossa democracia se satisfaz com muito pouco!

O populismo é o modo segundo o qual se realiza o sacrifício de nossas liberdades. Políticos com esse perfil não recuam diante de nada, pois mesmo seus escrúpulos fazem parte de sua tática. Quanto mais se exaspera seu apetite de poder, mais eles se preocupam em refreá-los em seus adversários.

Parece que desconhecemos habitualmente o mecanismo interno de nossas flagrantes debilidades. A vida só tem sentido graças à democracia, mas nossa democracia carece de vida.  Reclamada por seus pensamentos como por seus atos, a vida não se mede através dos padrões correntes da política.

A história política recente constitui o espaço onde realizamos o contrário de nossas aspirações, onde as desfiguramos sem cessar. Daí que a luta política, em sua expressão última, resume-se a (re)fazer cálculos. Quanto mais o imediato nos absorve, mais sentimos necessidade de tomar a direção oposta.

* Engenheiro

Tags: Artigo, JB, política, selvino, sociedade aberta, tarcisio padilha junior

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.