Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

Empreendedorismo é uma atividade de risco

Jornal do BrasilMarcus Quintella*

A mídia divulga constantemente que o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, com base nas pesquisas realizadas por entidades internacionais especializadas, e isso mostra o potencial e a determinação do brasileiro. O Sebrae ressalta que o nosso povo é o mais empreendedor dentre as vinte maiores economias do planeta, o chamado G20, superando países como China, Rússia, Argentina, Austrália e Estados Unidos.

O Brasil possui 17,5% de sua população adulta dentro da faixa de empreendedores em estágio inicial, ou seja, cerca de 22 milhões de brasileiros estão gerenciando um negócio com até três anos e meio de vida.

O empreendedorismo tornou-se popular em nosso país na década de 1990, passando, a partir daí, a contribuir de forma importante para o desenvolvimento da economia nacional. Hoje, podemos dizer que o empreendedorismo está consolidado no Brasil, com ênfase para os microempreendedores individuais, que respondem por mais de um milhão e meio de registros de negócios abertos em todo território nacional. A Global Entrepreneurship Monitor (GEM) estima que o Brasil possui 21,1 milhões de empreendedores, sendo que a mulher brasileira é a que mais empreende no mundo. Atualmente, entre os empreendedores iniciais, 50,7% são homens e 49,3% mulheres.

Em decorrência dessa característica empreendedora do brasileiro, o IBGE, Dieese e Sebrae mostram que as micro e pequenas empresas, conhecidas pela sigla MPE, representam 20% do PIB brasileiro, que equivale a R$ 700 bilhões, respondem por 60% dos 94 milhões de empregos no país, ou seja, mantêm 56,4 milhões de pessoas empregadas, e constituem 99% dos quase 6 milhões de estabelecimentos formais existentes no país. Na Região Sudeste, estão localizados quase 3 milhões de MPEs, cujos principais setores são o comércio, serviços, indústria e construção civil.

As MPEs são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil, visto que são importantes fontes de geração de empregos e renda, e, consequentemente, de qualidade de vida para a população. Desde 2011, o Brasil vem registrando uma baixa taxa de mortalidade das MPEs, pois somente 30% dessas empresas, em média, fecharam suas portas antes de completarem dois anos de vida. Essa boa sobrevivência das MPEs brasileiras tem a ver com o bom momento da economia e também o avanço da legislação do setor, o aumento da escolaridade dos empreendedores e o forte crescimento do mercado consumidor interno. Mesmo com esse bom número na taxa de sobrevivência das MPEs, o Sebrae se preocupa com os números da mortalidade das empresas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, e Comércio Exterior (MDIC), são constituídas cerca de 440 mil novas empresas por ano, no Brasil, e aproximadamente 80 mil dessas empresas fecham suas portas, anualmente. Por isso, o Sebrae recomenda 10 dicas para a sobrevivência das MPEs, a saber: elabore um bom plano de negócios antes de abrir uma empresa; respeite sua capacidade financeira; não misture as finanças da empresa com as finanças pessoais; preste atenção na concorrência; procure novos fornecedores; tenha controle do seu estoque; marketing não se resume a anúncio, invista em outras estratégias; inove mesmo que seja um produto/serviço de sucesso; invista sempre na formação empresarial; seja fiel aos seus valores e aos do seu negócio.

Dessa forma, o candidato a empreendedor deve sempre associar a abertura de uma MPE ao conceito de risco, pois o risco faz parte do negócio, e não existe a possibilidade de sua eliminação. O sucesso de um novo negócio dependerá de como o empreendedor lidará com o risco, ou seja, como ele conseguirá minimizar esse risco. A minimização do risco de um futuro negócio poderá ser feita a partir de bom planejamento e de um profundo conhecimento do mercado consumidor, da concorrência e das possibilidades de surgimento de novos produtos, serviços e tecnologias que poderão atingir sua empresa, no futuro.

Na prática, ser um empreendedor, ou melhor, abrir um negócio próprio, para deixar de ser empregado e virar patrão, é um sonho comum de muitos brasileiros. Entretanto, isso é algo que demanda muito trabalho, dedicação, estudo e, geralmente, sacrifício, antes do atingimento do sucesso imaginado. Logicamente, muitos negócios fracassam, como foi mostrado pelos números acima, em virtude do despreparo do candidato a empreendedor. Portanto, o empreendedor deve ter sempre em mente que uma coisa é abrir um negócio, outra coisa é empresariar esse negócio. Pense, planeje, estude, pesquise e converse muito antes de abrir um negócio próprio. Consulte entidades como o Sebrae, faça cursos especializados, visite seus futuros concorrentes, procure pequenos e médios  negociantes e também empreendedores de sucesso. Não desanime, faça tudo isso, e boa sorte.

* Marcus Quintella é professor da Fundação Getulio Vargas. - marcusquintella@uol.com.br

Tags: aberta, coluna, marcus, quintella, Sociedade

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