Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

País - Sociedade Aberta

Depois da porta arrombada

Marcos Espínola*

Após a tragédia em Santa Maria, no Sul do país — madrugada de 27 de janeiro —, com mais de 230 mortes, praticamente todas as capitais brasileiras resolveram se mexer. Como sempre, é preciso perder vidas para que o Estado cumpra seu papel de fiscalizar, função essa que é um dos grandes problemas que temos, fruto do descaso, da ineficiência e, essencialmente, da corrupção presente em praticamente todos as esferas de poder.

Na semana passada, o prefeito Eduardo Paes firmou um acordo com empresários da noite carioca para garantir a segurança das casas noturnas. Ficou decidido que o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio) estudará a criação de um selo atestando a qualidade da segurança desse tipo de estabelecimento. Uma medida correta, mas que já deveria ser uma rotina e não uma resposta a um episódio catastrófico. Além do Rio, outras capitais estão com ações rigorosas de fiscalização, como São Paulo, Minas etc.

No entanto, diante de tudo isso, valeria ainda uma reflexão por parte do governo federal quanto à pesada carga tributária para os empresários: será que ela contribui para tragédias como essa? Afinal, para arcar com inúmeras taxas e impostos, o empresário vive constante dilema de estabelecer prioridades, e, talvez, uma das coisas que fiquem comprometidas seja sua própria infraestrutura. Não é uma justificativa mas, sim, um fato que merece atenção.

Enfim, fica a torcida para que essa onda de fiscalização não seja passageira, pois, infelizmente, estamos acostumados a reagir imediatamente, mas no momento seguinte tudo é esquecido e deixado de lado. Sofremos de um mal chamado descaso com a vida humana, e, no Brasil, o cadeado só é colocado depois de a porta já ter sido arrombada.

Marcos Espínola é advogado criminalista. 

Tags: aberta, coluna, espínola, marcos, Sociedade

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