Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

Com respeito à Petrobras

Não é correto avaliar a companhia sem levar em conta a campanha de descrédito que se constata 

Jornal do BrasilJoel Mendes Rennó*

                

É do conhecimento e sentimento geral que o produto petróleo produz um efeito fascinante. É considerado por muitos como um bem estratégico. Grandes reservas de petróleo e a sua produção podem impulsionar a economia e assegurar o suprimento energético, condição essencial para o progresso das nações. País que possui segurança alimentar e abundância de energia tem lugar assegurado no “ranking” das nações. Este é sem dúvida o caso do Brasil.

O nosso País instituiu o monopólio da exploração e produção do petróleo quando da criação da Petrobras, em 1953. O objetivo primordial da Companhia seria o de desenvolver estudos e realizar trabalhos, tendo em vista dotar a nação do precioso ouro negro. Nunca foi objetivo, naquela ocasião, de tornar o País, necessariamente, auto-suficiente. Esta conquista foi obtida há alguns anos como resultado de sua persistência e valiosos esforços.

Naturalmente, a companhia se empenhou, desde o início de suas atividades, no amplo conhecimento da geologia do território nacional e através de um grande empenho, da contribuição vitoriosa de milhares de técnicos e trabalhadores, procurou com afinco, desde a sua primeira administração, a busca de resultados positivos, os quais ocorreram progressivamente nos seus 60 anos de existência.

Presentemente, como exemplo da irrestrita confiança depositada na empresa, cerca de 5 milhões de investidores possuem ações da Petrobras e embora as atuais condições do mercado acionário não estejam correspondendo às expectativas de ganhos, a ação da Petrobras é ainda um ativo valioso e inegavelmente um bem de futuro.

Promovendo o permanente aperfeiçoamento do pessoal e o desenvolvimento tecnológico, a Empresa atingiu posição destacada entre as companhias de petróleo de todo o mundo. Levando em conta o volume de suas atuais reservas de petróleo e gás natural, 16 bilhões de barris equivalentes, considerando a produção presente, 2 milhões de barris por dia, o volume e o valor de suas exportações, sua capacidade de refino, a Companhia pode ser considerada, com justiça, uma história de sucesso empresarial.

Mesmo durante o tempo em que exercia o monopólio estatal na exploração, produção, refino e comercialização, isto é exportação e importação, a Petrobras cresceu ano a ano e não há como negar a contribuição e a projeção que deu ao País no setor energético. Após a mudança da lei do petróleo, em 1997, a Companhia deixando de ser monopolista prosseguiu vitoriosa, consagrando o novo modelo aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República. Hoje em dia, cerca de 70 empresas trabalham no setor de petróleo do Brasil, destacando-se, de longe, dentre elas, a Petrobras.

O potencial petrolífero do país permanece elevado e atraente, sendo a Petrobras a empresa que mais investe no setor em comparação com outras companhias nacionais e internacionais. A propósito, dentre todas as Empresas brasileiras de qualquer atividade, a Petrobras é a que mais investe em obras e serviços no Brasil, proporcionando desenvolvimento e sobretudo a criação de empregos. A participação da Companhia na formação do  Produto Interno Bruto brasileiro, é de cerca de 15%. 

É da maior importância levar em conta esses comentários, lembrando que graças à Petrobras o Brasil tem um respeitável elenco de realizações, que nada fica a dever se comparado com grandes Empresas mundiais. Por sinal, a atuação da Companhia em 22 países confere elevado grau de respeitabilidade ao seu desempenho. 

Por critério de justiça, os ativos da Companhia e os serviços que presta ao Brasil deveriam, na verdade, ser sempre reconhecidos e na realidade enaltecidos, ao invés de criticados, como observamos em tempos atuais.

Mesmo enfrentando as dificuldades naturais de uma grande empresa, a Petrobras tem oferecido ao País, ao longo de sua história, exemplos de esforço, trabalho e dedicação de suas numerosas equipes de técnicos e trabalhadores. Não é correto avaliar a companhia sem levar em alta conta o que ela já ofereceu ao País e muito menos conformar-se com uma verdadeira campanha de descrédito que se constata nos nossos dias.

Inúmeras empresas particulares, fabricantes e fornecedoras de equipamentos e componentes para a indústria, foram criadas e se desenvolveram graças ao apoio e incentivo, inclusive financeiro, da Petrobras. Testemunhos de técnicos e dirigentes nesse particular são incontáveis. A Petrobras foi e continua sendo a grande incentivadora e responsável pelo êxito verdadeiro da indústria brasileira.

Quando se observa a insistente tentativa de diminuir ou até menosprezar a atuação da empresa, percebe-se a intenção perigosa de tentar desestabilizá-la. O intuito, seguramente, é conspirar para que a companhia se enfraqueça, vindo, vejam só, a ser eventualmente  substituída por outros empreendedores.

A indústria de petróleo brasileira desenvolveu-se celeremente, em particular nas últimas 4 décadas, quando a produção nacional passou de pouco mais de 120 mil barris diários para o volume atual de 2 milhões de barris por dia. Foi um progresso notável, a cargo da empresa estatal, ex-monopolista, Petrobras, cujas equipes de trabalhadores e técnicos são mundialmente reconhecidas por sua capacidade de trabalho e preparo tecnológico. 

Entre os diversos desafios que a companhia enfrentou e venceu, está a produção de petróleo e gás no mar, onde se concentram as maiores reservas brasileiras. A empresa vem batendo recordes na produção de petróleo em lâminas d’água cada vez mais profundas, detendo por essa razão o reconhecimento internacional da melhor tecnologia mundial na produção em águas profundas. Essa produção é potencialmente a próxima onda de hidrocarbonetos no mercado global de energia.

Coroando esforços de vários anos, através do empenho de sucessivas administrações, a Petrobras descobriu importantes reservas de petróleo na denominada camada pré-sal. A persistência da empresa resultou na descoberta de riqueza tão valiosa para o País. Esta é mais uma demonstração do quanto se deve à companhia, merecedora do reconhecimento e aplauso de toda a nação.

Na oportunidade em que notícias e comentários tentam obscurecer a apreciação dos brasileiros pela Petrobras, é tempo de se instalar uma escola de verdade em um campo adequado e  de se afirmar o quanto a Petrobras merece de crédito pelo seu passado e presente, lembrando que continua sendo, legitimamente, uma empresa orgulho nacional.

*Presidente da Petrobras de 1992 a 1999

Tags: desafios, JB, nacional, orgulho, Produção

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Comentários

1 comentário
  • cesar coelho cunha

    No começo,as pressões contra a criação da PETROBRAS eram enormes. Pressões externas do pós-guerra e descrédito daqueles a tudo que é brasileiro, brilhantemente identificado por Nelson Rodrigues de "Complexo de vira-lata". O tempo passou, a PETROBRAS cresceu e está aí com o pré-sal diante dela. Algo magnífico, despertando cobiça externa semelhante aos tempos coloniais, onde cada força econômica européia pretendia tomar pedaços da então colônia portuguesa. O motivo era o ouro,hoje,como em várias partes do mundo, o petróleo. A cobiça histórica permanece,não pelas nações em si,mas ,pelas petrolíferas e afins,sendo os meios de conquistas,outros, constatados por muitos analistas de mercado e de mídia.

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