Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

As vantagens do mercado livre de energia

Jornal do BrasilMikio Kawai Jr.* 

Sabemos que a energia é um dos insumos mais consumidos nas empresas e, no Brasil, também é um dos mais caros. De acordo com pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), nosso país possui a quarta energia de valor mais elevado do mundo. O que muita gente não sabe, ou, ainda não se convenceu sobre, é o fato de que existe uma opção mais vantajosa e interessante para determinados padrões de consumo: o mercado livre de energia.

Essa modalidade de contratação beneficia companhias com grande demanda energética, acima de 0,5 MW, o que pode ser traduzido em valores próximos à casa dos R$ 75 mil a cada fatura. Estas empresas podem escolher seus fornecedores de energia, permitindo uma melhor adequação das ofertas do mercado e suas necessidades. Vale ressaltar que não estamos falando da instalação de novas redes de abastecimento, como fiação e postes, já que a energia, independentemente de quem a comercializa, chega até os consumidores por uma mesma malha de transmissão.

Nos últimos anos, temos visto grandes companhias aderir cada vez mais a esta proposta de gestão de recursos, já que ela permite negociar itens como condições de contrato, preços, prazos e, ainda, reagir às oscilações do setor. Este segmento já é responsável por cerca de 30% do consumo energético no Brasil, enquanto no mercado europeu todos os consumidores, inclusive residenciais, podem escolher seu fornecedor desde 2007.

No Ambiente de Contratação Livre (ACL), é possível atuar de uma maneira mais flexível, como, por exemplo, optando desde a fonte de energia, tradicionais, como hidrelétrica, carvão e óleo, ou limpa, como eólica, gás natural, biomassa, solar ou biogás. E todas as escolhas são feitas de acordo com uma rigorosa análise de mercado, que toma como base não apenas os melhores preços mas, também, com ferramentas de previsão do médio e longo prazo, de maneira similar ao que temos em um ambiente de bolsa de valores. Mais conhecido, sabe-se que o modelo é marcado por quem enxerga melhores oportunidades de acordo com as tendências ou expectativas do setor. Quando o assunto é energia, um bom planejamento pode contribuir para lucros mais significativos; enquanto um passo errado tem o poder de quebrar um negócio, o que exige muito conhecimento dos responsáveis por esse tipo de trade

É necessário compreender que o setor de energia sofre oscilações, isso porque é impactado diretamente por fatores como o clima e ações governamentais. O mercado livre de energia também sente esta volatilidade, mas as empresas que possuem contratações em longo prazo e que foram feitas baseadas em estratégias e previsões de especialistas, conseguem evitar surpresas e, em paralelo, gerar benefícios.

* Mikio Kawai Jr.*, economista e mestre em economia, é advanced executive Management pela Iese Business School (Espanha, 2011).

Tags: aberta, coluna, kawai, mikio, Sociedade

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