Brasil competente mesmo é o agrícola
Os agricultores do país dão um show de eficiência e fazem inveja a países desenvolvidos
Enquanto o governo federal faz suas traquinagens contábeis para conseguir os míseros 3,1% do superávit primário, porque não corta gastos improdutivos, e tampouco respeita os recursos dos contribuintes, os agricultores deste país dão um show de eficiência, batem recordes na produção de alimentos, exportam em qualidade e quantidade de dar inveja até a qualquer país desenvolvido. E é bom que se diga: os empresários do campo com todas as adversidades climáticas, e outras, conseguem resultados extraordinários sem choramingar benesses em Brasília.
Para que o leitor tenha uma ideia desta continuada façanha dos bravos agricultores tupiniquins, tanto a Conab como o IBGE calculam que a safra de 2012/2013 deverá bater na casa dos 180 milhões de toneladas de grãos, ou 9% sobre 2011/2012, sendo que ainda não existem números finais apurados, mas que deverão ficar em torno de 165 milhões de toneladas. E, além de suprirem todo mercado interno, as exportações atingiram a marca espetacular de US$ 95,8 bilhões, em 2012, e um saldo positivo na balança comercial de US$ 79,4 bilhões. Ora, se sabemos que o superávit da balança comercial do ano passado foi da ordem de US$ 19,4 bilhões, isso significa que somente o saldo alcançado pelo setor agrícola foi quatro vezes maior. Não é fantástico?
Os produtos mais exportados foram o da soja em primeiro lugar, depois a carne, açúcar, álcool e café, respectivamente. E é bom lembrar que a tal da agricultura familiar, que concentra a maioria dos mais de 5 milhões de produtores no campo, hoje está se modernizando, e participando de cooperativas bem organizadas. Não somente produz muito abastecendo com preços acessíveis a mesa do brasileiro como, também, tem uma significativa participação nas exportações.
Apesar de toda esta competência do setor agrícola que mobiliza positivamente toda uma economia, infelizmente o governo não consegue viabilizar a melhoria da nossa infraestrutura, porque não temos estradas, portos, ferrovias e até aeroportos, com qualidade para escoar com custos mais baixos e celeridade toda a produção. E devido a esta carência de mobilidade logística citada, o prejuízo é muito grande, principalmente nas regiões do país onde a infraestrutura é caótica, como no Norte/Nordeste e em parte do Centro-Oeste. E desta forma se impede que os investimentos nestas regiões sejam mais expressivos, se ofertem mais empregos e consequente melhora na qualidade de vida de milhões de brasileiros.
E — como muito bem diz o técnico de futebol Muricy Ramalho, batendo as mãos, “aqui tem trabalho” — assim também vive orgulhosamente o empresário do campo, trabalhando e fiscalizando seu negócio 24 horas por dia. É fato muito diferente do que acontece com os que dirigem a nação, que só se preocupam com o poder e suas infindáveis facilidades, que eles mesmos criam e delas gozam.
Mas, certamente, a luta e a vontade de vencer com dignidade é a que sempre prevalece. E não por outra razão é que milhões de agricultores brasileiros são merecedores das nossas reverências.
* Paulo Panossian é jornalista. - paulopanossian@hotmail.com
