Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

Fala sério

Jornal do BrasilPaulo Panossian*

No lugar de criar um contencioso, e colocar em risco o futuro do fornecimento de energia elétrica no país, não seria mais inteligente e politicamente correto a presidente Dilma fazer um acordo, com metas bem estabelecidas, de incentivo às concessionárias de energia elétrica, que através de baixo custo de financiamento otimizassem as antigas hidrelétricas construídas há décadas, substituindo os antigos equipamentos por outros mais eficientes, que possibilitem mais produção de energia?

Como, aliás, muitos especialistas na área, inclusive o físico José Goldemberg, vêm sugerindo tais medidas, que, se adotadas, seriam menos onerosas do que o da construção de novas hidrelétricas, o meio ambiente não seria agredido porque imensas áreas não seriam alagadas, e tampouco sofreria interrupção da produção agrícola possivelmente em terras férteis. 

Por outro lado, se a presidente quer visibilidade política com seus eleitores reduzindo o preço de energia elétrica em até 20%, para os consumidores finais, esta não é a hora certa para tal, porque a estiagem é alta, o nível dos reservatórios é baixíssimo, e este equivoco do governo pode custar muito caro ao país.

E quem pode garantir que, com despesas menores na conta de luz, a família brasileira não vai abusar e consumir mais deste precioso produto, que é vital para nossa sociedade? Não é o mesmo que apostar no escuro?

No período do pós-apagão de 2001, que causou grandes prejuízos para nossa economia, pelo menos com a boa comunicação do governo FHC sobre esse grave problema, a população entendeu e atendeu, reduziu o consumo de energia, trocou equipamentos eletrônicos, e adquiriu lâmpadas mais econômicas, possibilitando uma queda importante no consumo. Agora, é uma situação diferente: apesar do baixo PIB, temos pleno emprego, e alto consumo das famílias. E como o governo diz que tudo está uma maravilha, quem vai se preocupar em economizar energia elétrica? 

O momento exige reflexão, e prudência do governo, porque já são dois anos de baixo crescimento da nossa economia, enquanto nossos vizinhos avançam. Os investimentos se retraem, principalmente o das prioridades da infraestrutura, inclusive amargamos a queda de produtividade da nossa indústria. O Brasil tem uma economia diversificada, e muita riqueza natural, mas pela acomodação e até o vezo ideológico de nossos governantes, que estão mais preocupados com o poder, estamos dando passos atrás no nosso tão esperado desenvolvimento.

E fica aqui uma humilde sugestão para presidente Dilma. Que ofereça essa eliminação de impostos para reduzir o preço de energia elétrica, para o setor de medicamentos, e alimentação básica, que a família brasileira vai agradecer efusivamente a redução de preços desses importantes produtos.  E o setor elétrico, certamente estimulado pelo bom-senso (que tem faltado no Planalto), faria de tudo para evitar o bem possível racionamento de energia, impedindo o buraco negro na nossa economia, e não propiciaria o enterro político do PT... Dilma, é pegar ou largar!

 * Paulo Panossian é jornalista. - paulopanossian@hotmail.com

Tags: Artigo, dilma, JB, paulo panossian, sociedade aberta

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