Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

O casamento para todos

Jornal do BrasilSiro Darlan*

O mundo globalizado que anuncia a falência desse modelo de Estado, a dignidade humana é o elemento mais exigente do paradigma que se procura para restaurar a ordem internacional. Um novo futuro com dignidade para a geração que vai receber o peso desse legado. Nesse contexto a redefinição da família nos termos que a sociedade propõe é uma necessidade de coerência entre o real e o legal. 

É inevitável a rediscussão do casamento como forma de união afetiva entre as pessoas. O casamento para todos constitui um progresso social exigível para haver coerência com a prática constatada pelos números do IBGE. 

O debate segue intensivo de um lado e de outro do Atlântico. Enquanto a Assembleia Nacional Francesa discute os valores sociais, éticos e religiosos para aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a intelectualidade americana continua reagindo a essa realidade, alguns estados submetendo o debate a sufrágios populares e outros resistindo ao debate afirmando que o casamento é a união de um homem com uma mulher. Essa resistência hipócrita a uma radical revisão da natureza do casamento se contrapõe à própria evolução social e cultural que afirma ser inevitável a revisão desse conceito. 

O casamento é a união de dois corações que se amam e de dois corpos que se complementam sexualmente. Para uns, esse último requisito tem por finalidade única a reprodução. Na verdade, a própria definição de amor é complexa e variada, já que o amor de um pai pelo filho, o da filha pela mãe não exigem necessariamente um complemento reprodutor. No fundo, se dois homens ou duas mulheres se casarem, o que irá distinguir essa relação das demais será a intensidade ou a prioridade afetiva. 

As pessoas que através de um liame sentimental se unem, independentemente do gênero, não estão obrigadas á reprodução, e a grande maioria das relações sexuais, modernamente, não deságua na reprodução, portanto não é esta última que irá qualificar ou não um encontro afetivo entre duas pessoas.

* Siro Darlan Oliveira, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é membro da Associação Juízes para a Democracia. - sdarlan@tjrj.jus.br

Tags: . siro, aberta, coluna, darlan, Sociedade

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Comentários

1 comentário
  • Marcos Lucio Pinto

    Como não foi publicado o comentário, não sei por qual motivo, repito-o, então. Obrigado.
    Argumentos para lá de lúcidos, afinal, qualquer maneira de amor vale a pena, pois todo amor é sagrado. A máxima bíblica: "amai-vos uns aos outros" é, evidentemente, incondicional, afinal, todos são filhos do mesmo Pai e com o mesmo destino de virar pó. Não interessa se é ele ou ela, no desejo ou no amor: o que conta e o que vale é o ELO. Se você é mulher e não é favorável, não case com mulher, ora bolas, aliás, ninguém é obrigado a casar, muito menos ter filhos (tá sobrando gente no planeta). A vida se constitui somente de diferenças e diversidades. A homossexualidade é um dado da natureza, existe desde que o mundo é mundo, e é um imperativo biológico assim como o heterossexualismo.Para a ciência, a biologia, a psicanálise, enfim, para o conhecimento acadêmico, não há sexualidade melhor ou superior. Tudo na vida, é importante e complementar, ou tem um propósito cósmico acima das nossas vontades.Parabéns Sr. Siro, pelo altruísmo, justiça e lucidez.
    Marcos Lúcio

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