Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

De que realidades falam?

Jornal do BrasilTarcisio Padilha Junior*

Temos em nós todas as grandes coisas. Se não o compreendemos é porque demasiadas vezes só escutamos os barulhos sensíveis; perdemos o poder perceptivo da alma, capaz de ouvir as vozes vindas do alto. O movimento natural da alma é o movimento em torno do centro que lhe deu origem.

Num movimento ascensional onde nosso pensamento intuitivo desempenha um papel essencial, vemo-nos realmente a sós com o ser donde tudo depende, em direção ao qual tudo olha. No cristianismo, a pessoa possui esse caráter sagrado de que foi criada à imagem e semelhança de Deus.

Muitos há que se contentam em simplesmente receber as impressões das coisas que se encontram ao seu redor. Pensam que a dor e o prazer que as coisas proporcionam são o mal e o bem. Esse conformismo leva pouco a pouco a aceitar tudo, a justificar tudo, a tudo relativizar. Sobretudo, leva a desconsiderar todo o não alinhamento pela opinião majoritária ou, pelo menos, a aceitá-la com dificuldade.

Promover o indivíduo contra a sujeição ao grupo, institucionalizar os conflitos em nome da não violência implícita, melhorar progressivamente a condição humana graças aos poderes do espírito, tudo isso remete para a lógica de uma sociedade moderna, autenticamente democrática e pluralista.

O pluralismo é a condição da democracia, vive e prospera do confronto de convicções, vegeta e definha com seu enfraquecimento. Uma vez admitido o valor dos princípios de nossa sociedade, será necessário que esses princípios não degenerem e que contradições graves e ignoradas não venham a pervertê-los progressivamente.

A intensificação da concorrência e a rápida transformação da economia multiplicaram as oportunidades; ao mesmo tempo, aumentaram o risco de cair na armadilha da pobreza. Assim, a convicção de que cada geração teria necessariamente melhor sorte do que a precedente parece menos arraigada hoje. 

Daí o impulso coletivo no sentido de que a ciência e a tecnologia não economizem seus esforços de modo a fazer recuar a miséria, a ignorância, o sofrimento, mas também no sentido de corresponder aos desejos e aspirações do indivíduo. Do que exatamente elas são capazes, de que realidades falam?

 

*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.

Tags: . tarcisio, aberta, coluna, Padilha, Sociedade

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