Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País - Sociedade Aberta

O risco global da crise americana

Jornal do BrasilSergio Sebold*

Estamos novamente sob a espada de Dâmocles, com o abismo fiscal dos EUA para o ano de 2013.  Eles têm o maior lastro de ouro de garantia, maior mercado de consumo e de produção do planeta. Embora com um rombo orçamentário de 16 trilhões de dólares, têm a maior e mais bem equipada força armada, maior concentração científica do planeta. Pelo modelo capitalista que vivemos isso não é bom. A concentração leva a um desequilíbrio monumental em termos de poder. Sendo um líder em escala planetária, a sua queda econômica se entrasse em default corresponderia ao apocalipse de todo o planeta pela sua escala de repercussão.

Embora se assuma esse risco, temos por outro lado a segurança pelo modelo constitucional que vem cumprindo de modo impecável desde sua independência política. O cerne moral e ético de seu povo dá até certo ponto uma tranquilidade a todos. Por este fato não é de se estranhar que acabaram sendo a primeira nação do mundo. Isto prova que, quando resguardados os valores morais que o cristianismo proporcionou, levaram a se transformar a nação líder no mundo. Em a Ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber demonstra com clareza a razão do sucesso americano. Das duas últimas guerras mundiais, que não foram eles que as promoveram mas terminaram, saíram ainda mais ricos do que já estavam. 

As crises que o mundo vem experimentando, da estagnação do Japão desde 1990 ao recesso por que passa agora grande parte da Europa, estão levando indiretamente os EUA a se resvalarem na tentativa de levar as nações menos desenvolvidas para cima. È como se rolar um rochedo morro acima, num dia de chuva. Correndo o risco de que, se não conseguirem, rolará tudo para baixo. A decadência começa pela preguiça, permitida pela ociosidade do próprio conforto experimentado, como paradoxo do progresso econômico. A grande crise financeira atual é de caráter moral e ético, quando há um excesso de dinheiro nas mãos de elites imorais, na mesma forma que foram os antigos impérios que desapareceram. 

Então, sim, os agoirentos do fim do mundo estarão com razão pela recém-chegada do 31 de dezembro, data fatal do abismo fiscal. Este poderá ser o fim de uma civilização montada em cima de uma fraude financeira, que cada dia está ficando pior. Como eles (EUA) têm bastante gordura acumulada, de lastros em todos os sentidos e em todo o mundo, poderão aquentar até certo ponto. A China, embora esteja num crescendo espetacular, está procurando tirar seu povo de um atraso milenar. Não possuem poupanças suficientes para ajudar ninguém. 

A invasão americana no Oriente Médio foi muito mais por interesses “estratégicos” do que levar a civilização ocidental para aquelas plagas. Infelizmente, uma estratégia ultrapassada, sob o ponto de vista de política internacional. Pelo lado comercial, será a oportunidade para abrir os portões dos regimes fechados, cujas populações anseiam pelo conforto oferecido pelas mercadorias do Ocidente.

Neste contexto os EUA precisam encontrar, nas suas raízes históricas, cidadãos capazes, estadistas, e abandonar líderes cuja religião é o dinheiro e não mais a família e o trabalho como entendia Lincoln, sobre o crédito especulativo no lugar do trabalho. Bancos não produzem parafusos nem sabem plantar um pé de tomate. Ninguém come dinheiro.

No próximo exercício de Obama, os EUA deverão se voltar para sua própria nação, para seu próprio povo, para continuarem exercendo a liderança mundial. Nesta nova configuração global vê-se que todos os países deverão buscar com seus próprios esforços seus próprios caminhos para subir a ladeira do PIB.   

*Sergio Sebold, professor, é economista..

Tags: crise econômica, democratas, economia, EUA, problemas, republicanos

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