Salvem Copacabana!
Faz cinco anos que escrevi o meu primeiro artigo sobre a degradação do meu querido bairro de Copacabana, no qual eu alertava sobre os conhecidos problemas da Princesinha do Mar. Quase dois anos depois, escrevi outro artigo sobre o mesmo assunto, mostrando que a situação continuava a mesma, ou pior, mesmo com o chamado Choque de Ordem da prefeitura. Hoje, exatamente cinco anos após o meu primeiro artigo, vejo Copacabana agonizando, precisando de um verdadeiro esquema de salvamento urbano.
Reconheço o esforço da prefeitura, especialmente da incansável Comlurb e da esforçada Guarda Municipal, mas Copacabana precisa de muito mais do que as ações do poder público. Copacabana precisa também que seus habitantes e visitantes tenham mais carinho, educação e respeito pelo bairro. Tenho certeza de que estas minhas palavras causarão polêmica, visto que as pessoas acham que somente a prefeitura tem de resolver todos os problemas do bairro e ser responsável por tudo que lá acontece. Não penso assim. Tenho convicção e defendo a tese de que todos os cidadãos são solidariamente responsáveis pela ordem, limpeza e qualidade da cidade em que vivem, principalmente por seu bairro. Os cidadãos são os verdadeiros donos das cidades e devem cuidar do que é seu.
Se vivemos numa democracia e elegemos os prefeitos de nossas cidades, temos o dever de ajudá-los com a fiscalização de suas ações e projetos. É a mesma coisa em nosso condomínio, quando elegemos o síndico. Imaginem se os condôminos começarem a pixar os corredores, urinar nas áreas comuns, deixar lixo nas escadas, roubar os carros na garagem, vender produtos na portaria, desrespeitar a lei do silêncio, entre outras infrações. A responsabilidade seria exclusivamente do síndico? Certamente, o síndico é obrigado, por dever de ofício, a administrar o condomínio de forma competente, coibir os abusos e punir os infratores, segundo as regras preestabelecidas, mas não pode ser responsável pela educação individual de cada condômino, nem por suas atitudes irresponsáveis e insanas. Ora, não seria a mesma coisa nas cidades? O prefeito não seria o síndico e os cidadãos os condôminos? Os cidadãos pagam o “condomínio”, por meio do IPTU, ISS e outros impostos e taxas, e, assim, possuem direitos e deveres perante a cidade.
No caso de Copacabana, tenho certeza de que a maioria dos problemas é de ordem social e policial, e carece de ações mais rigorosas dos poderes municipal e estadual, mas a população tem uma grande parcela de culpa, já que não cumpre sua parte, para ter moral de cobrar das autoridades.
Os principais problemas de Copacabana são os seguintes: ASSALTOS A TRANSEUNTES por pivetes; MORADORES DE RUA dormindo e acampando nas calçadas; CATADORES DE LIXO, que vasculham os lixos deixados pelos condomínios para coleta e deixam um rastro insuportável de sujeira para a Comlurb limpar; ÔNIBUS VOANDO NAS AVENIDAS, com absurdas velocidades de 70 a 80 km/h, sem repressão; VEÍCULOS ABANDONADOS estacionados em ruas transversais; TRÂNSITO CAÓTICO causado pelos ônibus, caminhões de entrega — táxis e vans abusam e desrespeitam as leis de trânsito; PONTOS DE VANS instalados nas principais artérias do bairro; SUJEIRA E FEDENTINA nas ruas internas, com muito lixo espalhado nas calçadas; ESCURIDÃO DAS RUAS, principalmente na importante Avenida Nossa Senhora de Copacabana; FLANELINHAS, que ditam as regras e comandam as vagas de estacionamento público; CAMELÔS, que vendem o que querem, a partir das sete da noite; PROSTITUIÇÃO E TRÁFICO DE DROGAS em pontos conhecidos, sem qualquer repressão; ACESSOS AO BAIRRO DESPROTEGIDOS, sem monitoramento por câmeras e postos policiais ativos (Túnel Novo, Túnel Velho, Ladeira do Leme, Corte Cantagalo e Posto Seis); FALTA DE POLICIAMENTO nas ruas internas, sendo que, à noite e nos domingos e feriados, com exceção da orla, o policiamento inexiste.
Copacabana deveria ser um exemplo de ordem urbana e um oásis de segurança pública. Como já disse anteriormente em meus artigos, a transformação de Copacabana num bairro seguro e ordenado traria benefícios incalculáveis para toda a sociedade, com geração de empregos, elevação da arrecadação de tributos, maior valorização imobiliária, aumento da taxa de ocupação da rede hoteleira, aumento do faturamento do comércio e do setor de serviços, e melhoria da qualidade de vida da população. Refaço as seguintes perguntas: a quem interessa esse quadro caótico de Copacabana? Quem ganha com isso? É assim que Copacabana se apresentará durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos?
Sugiro uma campanha forte para mostrar à população a importância de sua participação no processo de recuperação de Copacabana e da cidade, de um modo geral. Sugiro uma campanha para educar o povo e mostrar as melhores práticas de convívio humano e posturas urbanas. Sugiro a maior interação entre a prefeitura e a população para que haja contribuições, críticas e cobranças dos cidadãos, em prol do salvamento do bairro e da cidade. Penso que não devemos procurar sempre culpados, pois isso de nada servirá. Precisamos de ações concretas e participação de todos, principalmente dos donos da cidade, os seus cidadãos. Paz, saúde e felicidade em 2013.
* Marcus Vinicius Quintella Cury, doutor em engenharia de produção, é mestre em transportes pelo Instituto Militar de Engenharia. - marcusquintella@uol.com.br mvqc@uol.com.br
