Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

CDB ou caderneta de poupança?

Cláudio Ferro*

Desde que as regras para o rendimento da caderneta de poupança mudaram, um número maior de pessoas passou a acompanhar de perto as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Diante de cada redução da taxa Selic, o rendimento da poupança também diminui e, consequentemente, crescem os questionamentos sobre a viabilidade, ou não, de manter os recursos investidos neste tipo de aplicação.

Apesar de ser o investimento mais tradicional e seguro, cada vez mais os poupadores começam a avaliar outras alternativas. Entre elas, o CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, ganha destaque. Porém, é preciso conhecer as diferenças entre esses dois produtos antes de tomar qualquer decisão.

Com a queda da taxa Selic e, consequentemente, a diminuição na rentabilidade da caderneta de poupança, as únicas vantagens que esse investimento ainda tem são a isenção do imposto de renda e a liquidez imediata. Ainda assim, no caso do imposto de renda, CDBs de bancos médios, que pagam taxas mais altas e com períodos mais longos de aplicação, podem ser mais lucrativos. A rentabilidade do CDB é, na maioria das vezes, mais vantajosa, principalmente quando se trata de investimentos com prazos maiores que 12 meses.

Em investimentos de renda fixa, há cobrança de IOF somente quando o resgate é feito em um prazo inferior a 30 dias. Já a alíquota do imposto de renda é decrescente de acordo com o período da aplicação (22,5% para investimentos por prazos inferiores a seis meses; 20% para investimentos de seis meses a um ano; 17,5% para investimentos entre doze e 24 meses; e de 15% quando o prazo de investimento for maior que dois anos).

Se fizermos uma comparação prática, com a Selic a 7,5% ao ano, o rendimento da poupança passa a ser de 5,25% ao ano, ou 0,427% ao mês, acrescido de TR. Assim, um investimento de R$ 1 mil na poupança renderá R$ 52,50 no período de um ano (considerando que a taxa Selic se manterá em 7,5%).

Esse mesmo investimento em CDB pré-fixado poderá render R$ 82,86 (brutos) se a instituição pagar 8,32% de taxa. Se mantiver o investimento por mais de 12 meses e, consequentemente, descontar o IR de 17,5%, esse investimento pode render R$ 68,35, ou seja, mais do que a poupança. Para os CDBs pós-fixados, aqueles títulos com retorno acima de 100% do CDI também serão sempre mais vantajosos que a poupança.

No quesito segurança, poupança e CDB são idênticos. Nos dois casos, há a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para aplicações até R$ 70 mil por CPF.

Como em qualquer investimento, o CDB também requer que o cliente pesquise as taxas oferecidas, pois há diferença de instituição para instituição. É possível encontrar taxas mais rentáveis do que as oferecidas por grandes bancos de varejo e CDBs com investimento mínimo a partir de R$ 200 com o mesmo retorno de grandes valores.

Dessa forma, para prazos de seis meses até no máximo um ano, a poupança pode ser interessante. Qualquer outro investimento em renda fixa acarretaria pagamento de IOF (resgate até 30 dias de aplicação) e de alíquota de imposto de renda maior. Fora isso, o CDB, desde que feitas as devidas comparações entre as taxas oferecidas pelas instituições financeiras, é muito mais interessante. Vale a pena pesquisar.

*Cláudio Ferro é presidente do Banco Ficsa.

Tags: banco central, banco ficsa, cláudio ferro, copom, presidente

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