Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Repartição de riscos 

Tarcisio Padilha Junior* 

O novo manifesta-se em políticas de produção que propõem um amplo leque de modelos e versões construídos a partir de elementos-padrão que só se distinguem do termo da linha de montagem por pequenas diferenças combinatórias. Tanto a oferta como a procura são estruturadas por concorrências que fazem com que os produtos encontrem em cada momento seu consumo adequado.

Se antes a indústria era tida como uma simples extensão do artesão que a precedera, a crescente sofisticação dos mercados torna possível uma definição mais rigorosa de sua habilidade técnica. Nos domínios onde o desenvolvimento tecnológico requer a mobilização de capital de vulto, o único mercado que conta é o mercado mundial. Hoje o custo de desenvolvimento de um novo avião é tão elevado que a manutenção da concorrência supõe a convivência. O desenvolvimento de novos mecanismos de mercado reintroduz um ponto de previsibilidade entre atores concorrentes, tornando clara, pela forma contratual, a repartição de riscos.  

A decisão de investimento assim como a organização dos procedimentos de gestão remetem à questão central da identidade da empresa: sua capacidade de “inventar” novos mercados, a confiança que inspira e a fidelidade que consegue tanto de seus funcionários como de seus investidores.

Não devemos nos enganar sobre o significado da corrida pelo gigantismo empresarial a que assistimos hoje. O poder que algumas grandes empresas estão concentrando não se parece com o poder patrimonial, fundado em uma cadeia hierárquica e na centralização das “grandes” decisões, como é o caso em empresas tradicionais.

O poder das empresas gigantes não traz somente uma mudança de escala, constitui de fato uma mudança de natureza. O que está em mudança acelerada hoje é a visão patrimonial e hierarquizada dos circuitos do poder. As fronteiras se desagregaram, e esta nova porosidade revoluciona primeiramente a organização das empresas, mas em seguida também as instituições políticas. 

*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.

Tags: Artigo, JB, júnior, sociedade aberta, tarcisio padilha

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