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Sábado, 26 de Maio de 2018 Fundado em 1891

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Sempre é preciso um passo adiante

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Editorial, Jornal do Brasil

RIO - O lamentável episódio da invasão do Hotel Intercontinental por bandidos e traficantes, na manhã de sábado além de um tão grave tiroteio com a polícia ao longo das principais vias de São Conrado, Zona Sul do Rio deixa uma boa reflexão a ser feita pelo comando da segurança pública do estado. E confirma o que ela já sabe: a questão da violência não tem fim, e tem de ser tratada com todo o esmero a todo momento.

Após o desfecho do caótico incidente, o secretário José Mariano Beltrame deu entrevistas, nas quais exaltou o desempenho dos policiais envolvidos na operação. Lembrou que nenhum dos reféns foi ferido, que a única morte foi de uma mulher que integrava o bando de desordeiros, e que todos os demais foram presos.

É verdade. Dada a natureza e gravidade do ocorrido, o desfecho poderia ter sido bem pior. Em outros tempos, talvez a ação policial não terminasse com um final tão feliz ainda está vivo na mente dos cariocas o trágico fim do episódio do cerco ao ônibus da linha 174, no Jardim Botânico, apesar de já se terem passado dez anos.

Seria uma injustiça não reconhecer que a polícia reagiu com rapidez e fez o que era possível para minimizar as perdas causadas pela criminalidade. Mas há um dado que foge ao domínio das autoridades: não basta haver segurança, é preciso parecer que há segurança. Para os hóspedes do hotel, especialmente os estrangeiros, não haverá entrevista que os convença de que o Rio é uma cidade segura, ou campanha que os faça voltar à nossa cidade.

Para os que não se conformam com a vitória do Rio como sede olímpica de 2016, e como palco da final da Copa do Mundo de 2014, foi sublime a chance que tiveram de enrijecer os indicadores e apontar: Vejam a insegurança do Rio, vejam como os bandidos tomam conta das ruas, imaginem se fosse em 2014 ou 2016 , bradam desde a a manhã de sábado.

Assim, por mais que se tenham diminuído em quantidade os casos de ataques mais acintosos dos bandidos à população, é imperioso que as inteligências das polícias civil e militar deem um passo à frente não apenas no sentido de antever a movimentação da bandidagem como para, no dia a dia, promover o sufocamento do tráfico e sua movimentação pelas comunidades mais carentes. O Estado precisa, como já vem começando a fazer, entrar cada vez mais nessas localidades e tomar o lugar dos criminosos como provedor de serviços.

Se colocamos uma lupa bem em cima do incidente de sábado, concordamos que o trabalho da polícia foi mesmo o que deveria ter sido feito. Mas, se aumentarmos a amplitude da lente, o que é também o dever da mídia, não dá para chegar a outra conclusão senão a de que o Rio e sua população não podem mais aceitar esse tipo de desafio a céu aberto. É preciso reprimir quando se é agredido, mas, mais do que isso, é fundamental impedir de todas as formas que a agressão se repita.



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