Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Retrato da falta de consciência

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Editorial, Jornal do Brasil

RIO - É para indignar qualquer cidadão a informação publicada neste JB, no Tema do dia da edição de ontem, sobre a sujeira produzida por uma campanha política que ainda está em seus primeiros passos. De acordo com o texto, o Tribunal Regional Eleitoral recolheu, em dez dias de fiscalização, nada menos que uma tonelada de lixo por dia só na cidade do Rio de Janeiro.

É uma situação inacreditável e inaceitável nos tempos de hoje, em que a consciência ecológica é mais do que uma moda. Quantas árvores foram ou ainda irão abaixo para sustentar essa produção irresponsável de papel, até que os políticos se elejam? É um tipo de desperdício que não tem uma única contrapartida para a população, à exceção dos donos dos belos sorrisos que estampam cartazes e santinhos nas propagandas e nem para todos os mal-educados sujadores de ruas será suficiente para que consigam se eleger.

O mau e democrático exemplo, já que há sujismundos à direita e à esquerda, é, na verdade, uma consequência da falta de consciência não só dos que querem o poder mas de toda a população, que sorrateira ou ostensivamente também joga seu cigarro pela janela do carro, sua bolinha de papel no chão, usa árvores, postes ou bancas de jornais para fazer necessidades, etc.

O que torna mais grave a situação é que a falta de asseio eleitoral é seletiva. A reportagem do JB apurou que a quantidade de sujeira nas ruas é significativamente menor na Zona Sul do que em outras regiões. Entendem os políticos que essa parcela da população dá muita importância a questões ambientais e de civilidade urbana, e sabem que a sujeira vai depor seriamente contra quem a produziu.

Já nas regiões de poder aquisitivo um pouco menor, a lógica dos candidatos é o conhecido dane-se a limpeza . Sabem que são brasileiros com menos acesso a boas condições sanitárias, para quem santinhos e galhardetes, ainda que em grande quantidade, são melhores do que, por exemplo, esgoto a céu aberto.

Há muito espaço, dentro da legalidade, para que os candidatos se apresentem aos eleitores. O outdoor é um deles. A televisão é outro, logo chegará a hora da propaganda eleitoral obrigatória. A internet, sempre dentro das regras, também não polui. Mas, dirão os políticos, a internet ainda não é acessível a toda a população, é pouca a gente para ver nossas promessas maravilhosas . É uma das bases que fomenta o dane-se a limpeza .

Portanto, leitor eleitor, exerça sua cidadania e ajude a Justiça a fiscalizar quem não respeita a coletividade. Fique muito atento às carinhas e aos números daqueles que emporcalham a cidade. Não dê apoio nem voto aos que sujam as ruas. Esses, na maioria, estão dando agora apenas um cartão de visita sobre a sujeira que produzirão nos gabinetes.

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