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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Prevenção de acidentes

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Fatima Cristina de Souza Santos médica *, Jornal do Brasil

RIO - Dia 27 de julho é Dia Nacional de Prevenção de Acidente de Trabalho. Tivemos o que comemorar? Ainda falta para termos tido uma comemoração completa, mas muito se fez nesses últimos anos. Os números de acidentados ainda pode ser considerado grande, mas só uma política pública séria, com ajuda de empregados e empregadores, chegaremos a um patamar aceitável. A data trouxe à tona a discussão sobre a responsabilidade das empresas por danos à saúde no ambiente de trabalho e a conscientização dos trabalhadores.

No estado do Rio de Janeiro, a Superintendência de Saúde, Segurança e Ambiente do Trabalho, da Secretaria Estadual de Trabalho e Renda, deu a largada para acabar com a miopia em relação ao entendimento, numa gestão integrada, com direito básico de todos no novo modelo de superar essas questões.

A cada ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lança um tema e este ano a discussão ficou por conta dos riscos emergentes e novos rumos, ou seja, qualquer risco aumentando com a renovação tecnológica, carga de trabalho pesada e contratos temporários.

A segurança do trabalho é um conjunto de medidas que são adotadas, visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. No Brasil, a legislação de segurança do trabalho compõe-se de normas regulamentadoras e leis complementares.

Dois milhões de trabalhadores morrem a cada ano de doenças ocupacionais e acidentes ocorridos no ambiente de trabalho. Segundo relatório da OIT, morrem mais de 5 mil pessoas por dia de problemas relacionados ao trabalho. O número anual inclui as de 12 mil crianças.

No Brasil, os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais matam cerca de 57 mil pessoas por ano. Acidentes fatais são apenas a ponta do iceberg. Dependendo do tipo de trabalho, para cada morte ocorrem de 500 a 2 mil pequenos acidentes. O desenvolvimento do trabalho trouxe não apenas novas ocupações mas, segundo a OIT, deu origem a novos problemas de saúde. Relatório revela que mais trabalhadores estão sofrendo de doenças musculares, estresse, problemas mentais e reações alérgicas devido à exposição de agentes químicos e radioativos.

Cerca de 4% do produto interno bruto (PIB) mundial vão embora devido a faltas ao trabalho por motivos de saúde e são gastos em tratamentos de doenças e benefícios pagos a pessoas incapacitadas. As substâncias perigosas matam 340 mil trabalhadores a cada ano, deste total 100 mil morrem devido à contaminação por amianto. A responsabilidade do governo do estado não está em somente colocar o trabalhador no mercado de trabalho mas em mantê-lo com saúde e segurança no seu ambiente de trabalho. Este é o desafio. Apesar dos esforços, ainda precisamos fazer muito mais. Entretanto, o trabalho preventivo vem apresentando um alinhamento político, através de uma gestão integrada e de responsabilidade com políticas públicas em parceria com o empregado e o empregador.

* Maria Christina Menezes é superintendente de Saúde, Segurança e Ambiente do Trabalho da Secretaria Estadual de Trabalho e Renda.

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