Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Rio

Exonerado da Educação, Benjamin ataca Crivella

Secretário acusa substituta e reclama do prefeito, que readmitiu Paulo Messina, seu desafeto

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O secretário municipal de Educação, Cesar Benjamin, soube que foi exonerado do cargo pelo prefeito Marcelo Crivella por terceiros. Reclamou, na rede social, que Crivella sequer ligou para ele. “O prefeito agradeceu desta maneira a minha dedicação à causa da educação”. Benjamin saiu da pasta da maneira que a ocupou: sem papas na língua. Afirmou que a professora Talma Suane, escolhida para substituí-lo, era sua chefe de gabinete e fez parte da articulação que o levou à demissão. Benjamin sempre acusou Paulo Messina de estar à frente dessa articulação.  Messina, que na semana passada pediu sua exoneração do cargo de secretário municipal da Casa Civil, foi readmito anteontem, na véspera da demissão de Benjamin. 

Ambos foram responsáveis por grande queda de braço, em que Benjamin veio a público para dizer que Messina estava minando seu trabalho na secretaria de Educação.  Messina é vereador pelo PRB. Como parlamentar ou secretário, foi sempre um ativo  defensor do atual governo municipal na Câmara dos Vereadores. No momento em que Crivella é alvo de dois pedidos de impeachment já protocolados, o prefeito não quis perder um aliado como Messina, que sempre se movimentou no atual poder público com olhar para a Câmara dos Vereadores. Crivella vem sendo questionado na Câmara sobre uma reunião fechada, no Palácio da Cidade, na qual teria oferecido privilégios a pastores e líderes religiosos da Igreja Universal.  

O próprio Messina reconhece que sua decisão de retomar a função de secretário tem a ver com o momento delicado do governo. Em sua rede social, escreveu: “Eis que surgem, nos últimos dias, movimentos na Câmara Municipal para fragilizar o Executivo, com denúncias e pedidos de impeachment. Neste momento em que se questionam as diretrizes que regem o governo, e frente a movimentos que buscam desestabilizar a prefeitura, minha iminente saída se tornou inoportuna, podendo até ser contextualizada agora, de forma maliciosa, como deslealdade e oportunismo, ou explorada politicamente contra o governo, dizendo que tornou-se fraco. Justamente neste momento em que a Prefeitura ensaia sua recuperação fiscal, e dá os primeiros passos sólidos para afastar a crise, é estarrecedora a possibilidade de ser engolida numa crise política que só traria danos, muitos deles irreversíveis no curto prazo, para os cidadãos cariocas, bem como jogaria ralo abaixo todos os esforços dos últimos meses. Por conta disso, e com a concordância do prefeito, continuarei à frente da Secretaria da Casa Civil”. 

Messina sempre questionou as contratações sob regime de urgência de Benjamin. Já Benjamin dizia a interlocutores que as duas comissões parlamentares de inquérito na Câmara foram estimulas por Messina. Benjamin afirmou, também na rede social, que não cedeu à politicagem. “A minha exoneração era esperada, pois não cedi à politicagem e aos inimigos da educação. Retorno ao convívio da minha família e aos meus afazeres profissionais. Toda a articulação para a minha saída foi feita pelas minhas costas. Não recebi sequer um telefonema. O prefeito agradeceu desta maneira minha dedicação à causa da educação. Talma Suane, minha chefe de gabinete, participou dessas articulações sem me avisar. Há algum tempo, depois da primeira crise, o próprio prefeito me disse que ela havia pedido o meu cargo, mas eu não acreditei. Quem age de boa-fé tende a acreditar na boa-fé dos demais. Ontem, quando eu estava em agenda externa, Talma me mandou uma mensagem, dizendo que não estava se sentindo bem e iria para casa. Quando retornei à SME já não a encontrei. Ela já sabia que havia conseguido a nomeação, mas não teve coragem de olhar nos meus olhos. Sua gestão nasce sob o signo da traição”.

A atual secretária de Educação não respondeu as acusações de Benjamin. Crivella também não comentou as declarações dele.



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