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Terça-feira, 17 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Rio

Secretário da Casa Civil atribui demissão a Cesar Benjamin

Jornal do Brasil MARIA LUISA DE MELO, malu@jb.com.br e ROGÉRIO DAFLON, rogerio.dafl on@jb.com.br

O secretário de Casa Civil, Paulo Messina, pediu demissão da pasta, ontem, demonstrando que o mal-estar com o secretário de Educação, Cesar Benjamin, não terminara, quando ambos assinaram uma nota oficial, afirmando que suas diferenças haviam sido superadas, em maio deste ano. Fontes ouvidas pelo JORNAL BRASIL disseram que o secretário da Casa Civil ficou irritado porque Benjamin teria dito em unidades de redes municipais que Messina era o responsável por duas comissões parlamentares de inquérito em curso na Câmara. 

A nota à imprensa enviada por sua assessoria, contudo, cita “ataques incessantes”, sem especificar quais: “Em virtude de ataques incessantes que vêm sofrendo do secretário de Educação, a despeito do acordo assinado por ambos, a pedido do prefeito, no dia 23 de maio, o secretário de Casa Civil, Paulo Messina, pediu pessoalmente ao mandatário do Executivo a sua exoneração do cargo, para reassumir sua vaga como vereador. O prefeito pediu a Messina que reconsidere a decisão. Messina está há cinco meses à frente do cargo e já havia feito ajustes de custos, cancelando contratos emergenciais e aprovando importantes projetos para arrecadação, como o Mais Valia (regularização de puxadinhos em residências), reforma da Previdência e a recuperação de devedores da prefeitura (dívidas de pessoas físicas e jurídicas com a prefeitura).

Secretário da Casa Civil, vereador Paulo Messina pediu demissão da pasta e anuncia volta à Câmara

A polêmica entre os dois começou no mês de maio, quando Benjamin, em uma rede social, acusou Messina de “minar metodicamente as condições de governança da SME (Secretaria municipal de Educação)”. 

O “minar” referido por Benjamin dizia respeito a atraso de recursos para recuperação e construção de escolas por parte do secretário da Casa Civil, segundo o titular da Educação, que também teria ficado irritado com possíveis questionamentos do agora explicitamente desafeto em relação a contratações emergenciais sem licitação. Messina rebateu as acusações à época. Benjamin, em seu perfil no Facebook, comentou o caso, sem responder a nota de Messina e sem dar entrevistas à imprensa. Sem citar nomes, escreveu sobre “uma articulação de políticos que, mais uma vez, tenta me derrubar”. A nota na íntegra é a seguinte: “Eu estava até há pouco em uma cerimônia em que 222 alunos das nossas escolas públicas e seus professores receberam medalhas pelo desempenho na Olimpíada Brasileira de Matemática, organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, uma instituição brasileira de grande impacto internacional. Mais um motivo de orgulho para a nossa rede. Na volta à SME recebo notícias de uma nova crise, em curso, que eu não provoquei e não esperava. Estou completamente focado no meu trabalho. Estão saindo matérias cheias de invencionices. Nessas horas, as chamadas “fontes da prefeitura”, sempre anônimas, trabalham a todo vapor. Este não é meu estilo. Nada tenho a dizer, por enquanto. Reafirmo à rede que minha palavra será mantida: não pedirei demissão. A articulação de políticos que, mais uma vez, tenta me derrubar terá que assumir o ônus de sua ação, às claras”.

As duas CPIs na Câmara Municipal foram pedidas pelos vereadores Renato Cinco (PSOL) e Rogério Rocal (PTB). A primeira diz respeito a assédio moral; e a segunda, a contratos sem licitação, sob a justificativa de situações de emergências. 



Tags: crise, educação, messina, política, rio

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