Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Rio

Tiros atingem vida e economia na Babilônia

Jornal do Brasil ROGÉRIO DAFLON, rogerio.daflon@jb.com.br

O Morro da Babilônia, no Leme, já fez parte do cenário de uma história poética, no filme “Orfeu Negro”. Na trilha sonora, Tom Jobim e Vinicius de Moraes deram um auxílio luxuoso para o longa-metragem conquistar a Palma de Ouro, em Cannes, em 1959. Ali, algumas cenas de “Tropa de elite”, de 2008, também foram rodadas. Infelizmente, os episódios na vida real naquela encosta da Zona Sul têm mais a ver com a ficção cinematográfica mais recente. Tiroteios vêm sendo uma constante no dia a dia da comunidade. Afetam tanto o cotidiano daquela população, que até mesmo o Bar do David, restaurante mais famoso da Favela Chapéu Mangueira, vizinha à Babilônia, parece estar com os dias contados. “Hoje (ontem), houve mais notícias de troca de tiros. Na minha opinião foram fogos de artifício, até por causa do jogo do Brasil, mas alguns sites deram que foi mesmo mais um tiroteio. Isso está acabando não só com meu restaurante, mas com outros que estão no Morro da Babilônia”, relatou David Bispo, dono do estabelecimento. 

No Morro da Babilônia, pelo menos 15 restaurantes estão indo à falência por causa das constantes trocas de tiros

O Bar do David é um dos mais premiados do país. Como diz o velho clichê, “deu no New York Times”, mas seus quitutes também deram o que falar no “Le  Mond Diplomatique”, no “Clarin” e na TV “Al Jazira”. Na época da inauguração do bar, a UPP havia se instalado no local há um ano, levando sensação de paz à comunidade. “Mas ninguém mais vem aqui no meu bar, apesar de toda fama que ele adquiriu. E a falência do projeto da UPP é responsável por isso”, acusa David. O desabafo dele não se resume à sua atual dificuldade de manter o negócio. “Não sou só eu que estou sofrendo com isso. Todos os moradores estão expostos a tiroteios. Mas outra coisa dramática é que mais de 15 restaurantes do Morro da Babilônia estão sem movimento algum. Há graves prejuízos financeiros nos hostels que se instalaram aqui. Os guias turísticos também foram extremamente afetados”, diz ele. 

David Bispo diz que os clientes desapareceram de seu bar devido a tiroteios

David afirma que a UPP, que tem pacificação na sigla, trocou a política de ocupar sem trocar tiros pela do confronto. Um dos mais graves ocorreu no mês passado, quando sete pessoas foram encontradas mortas na Praia Vermelha, na Urca, bairro aos pés do Morro da Babilônia. “A polícia não faz mais ações de inteligência”, diz David. 



Tags: babilônia, leme, polícia, rio, upp, violência

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