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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Rio

Creches: atraso em repasses ameaça mais de 16 mil crianças menores de 4 anos

Jornal do Brasil MARIA LUISA MELO, malu@jb.com.br

Mais de 170 creches conveniadas com a Prefeitura do Rio vêm sendo afetadas pelo atraso no repasse de recursos da Secretaria Municipal de Educação. Nos últimos meses, segundo conta um dos diretores da Associação das Creches Conveniadas com a Prefeitura do Rio de Janeiro (Acreperj), Guilherme Maltarolli, os atrasos têm sido de cerca de um mês e afetam o cotidiano de mais de 16 mil crianças.

Hoje, a prefeitura mantém 400 creches próprias, mas não consegue atender toda a demanda. Além dessas, ainda há 176 unidades conveniadas, mas a estimativa é de que ainda faltem outras 40 mil vagas, segundo dados da Acreperj.

Creches como as das instituições Solar Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho, e Cantinho Feliz, na Ladeira dos Tabajaras, são algumas das afetadas pelo atraso no repasse de recursos

Como se já não bastasse esse déficit de vagas, diretores de creches parceiras dizem que os atrasos no pagamento de custeios pode inviabilizar o funcionamento das unidades.

“Não temos como funcionar sem esse convênio. A cada dia que passa está mais difícil conseguir doações para esse tipo de trabalho. Se a prefeitura continuar atrasando os repasses, não temos como manter as portas abertas e isso pode prejudicar 150 mães que trabalham fora. O dinheiro repassado já é apertado, insuficiente para as nossas despesas mensais”, conta Sandra Uliana, da creche Cantinho Feliz. A instituição foi fundada há 45 anos, para atender a mães carentes da favela Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, Zona Sul da cidade. 

Ao todo, as duas unidades de Copacabana atendem mais de 200 crianças

Segundo conta um dos diretores da Acreperj, Guilherme Maltarolli, o pagamento que deveria ter sido feito no início de junho só foi efetivado no início de julho, para parte das unidades. Outras (cerca de 40%) continuam desassistidas. Hoje, a prefeitura repassa R$ 600 por cada criança matriculada nas creches conveniadas. A maior parte do valor – 75% – é destinada para o pagamento de funcionários. Outros 25% servem para alimentação das crianças e para o pagamento de contas de luz, gás, água e aluguel. 

“Esse valor da prefeitura é insuficiente para manter as crianças. Precisamos de, pelo menos, R$ 850”, dispara Guilherme Maltarolli, que também dirige o Solar Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho, onde são oferecidas 89 vagas na creche. 

'Não temos como funcionar sem esse convênio (...) Se a prefeitura continuar atrasando, não temos como manter as portas abertas', diz Sandra Uliana

A situação já foi pior: até outubro do ano passado, o valor pago por criança atendida era R$ 300, metade do atual, quando houve revisão da cifra pela atual gestão.

Procurada, a Secretaria Municipal de Educação informou, através de sua assessoria, que somente reconhece atraso de repasse no mês de junho e diz que “nos próximos dias serão regularizados os pagamentos restantes”, sem informar o motivo dos atrasos. 



Tags: creches, crianças, crise, rio, verbas

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