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Domingo, 17 de Junho de 2018 Fundado em 1891

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Alerj: CPI das UPPs vai investigar falhas e a viabilidade do programa

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A continuidade do Projeto de Polícia de Proximidade, que tem como base as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), começou a ser debatida nesta terça-feira (13), durante a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das UPPs, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Os deputados vão investigar se existe viabilidade de preservação do projeto, na forma como foi originalmente desenhado, se é necessária a desativação de algumas UPPs que não estão dando o resultado esperado – de aproximação e pacificação da área –, ou se é preciso uma readequação do processo, com possíveis correções de rumo e novos investimentos.

O presidente da CPI, deputado Bruno Dauare (PR), que propôs a criação da comissão, disse que um dos erros do projeto foi não ter se expandido para o interior do estado, ficando restrito à capital.

“Nós esperamos, através de uma investigação profunda, fazer um raio-X das UPPs durante esses anos, traçando o custo de implantação desse processo para o estado e entender por que chegamos a 2018 em um estado de intervenção, em uma crise de segurança sem precedentes na segurança pública do Rio. Não houve implantação de UPPs para o interior, mas sim a migração de criminosos para cidades menores e a saída de policiais do interior para a capital”, disse Dauare.

Para o deputado Zaqueu Teixeira (PDT), integrante da CPI e ex-chefe de Polícia durante o governo de Benedita da Silva, é necessário investigar o que houve com as UPPs, que foi considerado um projeto de sucesso e hoje não cumpre o seu papel.

“Vamos apurar se os recursos foram bem empregados ou não, para saber como este projeto pretende se manter no estado do Rio de Janeiro. Existem regiões onde verificamos que as UPPs já não têm a mesma consistência de uma política de retomada de território e os policiais estão fragilizados. Eu sempre fui crítico, porque o projeto das UPPs era uma política de Saci Pererê, só estava com uma perna, só colocava Polícia Militar (PM), não tinha uma investigação feita previamente para ir à raiz do problema. No Complexo do Alemão só houve policiamento ostensivo e a polícia judiciária não foi reforçada para dar conta daqueles que cometem crime”, disse Zaqueu.

Nas próximas sessões da CPI, serão convocados ex-comandantes da PM, para relatarem suas experiências durante suas gestões e contribuírem com possíveis soluções para garantir o programa. Atualmente, existem 38 UPPs no Rio, mas praticamente em todas elas há problemas, com o descontrole da região por parte dos policiais, refletido em constantes tiroteios com criminosos que acabam ferindo ou matando inclusive moradores.

O interventor na segurança do Rio, general Braga Netto, já emitiu sinais de que poderá reavaliar o número de UPPs, mas não declarou se irá extinguir alguma unidade. A primeira UPP foi implantada em 2008, no Morro Santa Marta, em Botafogo, e durante muitos anos garantiu tranquilidade para o bairro. Hoje, porém, já são frequentes os tiroteios na região.

Agência Brasil


Tags: armas, comunidade, drogas, favela, legislação, polícia, segurança, tiroteio, tráfico

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