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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018 Fundado em 1891

Rio

Maioria dos crimes cometidos no Rio ocorre perto da casa do criminoso, diz FGV

Agência Brasil

Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostra que a maioria dos crimes cometidos na cidade do Rio de Janeiro ocorre em locais de até 12 quilômetros de distância de onde o criminoso vive. O estudo foi desenvolvido pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da fundação, a partir de dados da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

A fundação analisou os dados de janeiro a julho de 2015, de 1.644 detentos maiores de idade e que foram condenados naquele ano por roubo, furto e extorsão mediante sequestro e tráfico de drogas. Foram considerados na análise o local onde vivia o detento e onde ele cometeu o crime.

A pesquisa considerou como descolamento curto quando o crime foi cometido em um percurso de até 12 quilômetros, deslocamento médio para percursos entre 13 e 24 quilômetros, e de 25 a 40 quilômetros deslocamentos longos. A geografia da cidade do Rio de Janeiro foi utilizada como critério para poder estipular os tipos variados de percurso.

De acordo com a coordenadora do levantamento, socióloga Ana Luisa Azevedo, os crimes analisados representam  72% dos delitos que levaram a condenações na capital fluminense. E na maioria dos casos, os crimes foram praticados em curtas  “Como se fosse um deslocamento prioritário entre eles”, disse.

A região da cidade que concentrou mais crimes contra o patrimônio (roubo, furto e extorsão) com trajetórias curtas foi a zona norte, seguida do centro da cidade. Já na zona oeste predominam casos de tráfico de drogas, também em distâncias curtas.

Conforme a pesquisa, algumas das hipóteses de os criminosos cometerem crimes perto de casa são: gasto para locomoção, risco no momento de fuga e garantia de proteção de uma facção criminosa. 

O levantamento indica que essa escolha não foi por acaso. “Pode ter sido pensada pelo deslocamento e relação custo/benefício, mas pode ter outras coisas envolvidas, como a questão do transporte público, áreas expressas próximas, uma proteção de facções criminosas”, disse a coordenadora.

Os dados sobre o tipos de crimes em determinadas regiões e a questão do deslocamento podem ajudar as investigações policiais. “Tudo isso pode ser levado em consideração”, afirmou.

A FGV pretende atualizar a pesquisa com a inclusão de outros crimes, em um período maior de tempo, abrangendo dados fechados de 2016. A perspectiva é iniciar o novo trabalho ainda este ano. 

Tags: da, fundação, getulio, pesquisa, vargas

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