Jornal do Brasil

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Rio

Sem Picciani, oposição quer desengavetar CPIs na Alerj

“Temos previsão de implementação de três comissões: Isenções Fiscais, Saúde e Ônibus”, diz Serafini

Jornal do BrasilFelipe Gelani *

Após os conturbados últimos dias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) – com a prisão de caciques do PMDB fluminense - o presidente da Casa, Jorge Picciani, e os deputados André Albertassi e Paulo Melo - a oposição vê um cenário favorável para tentar dar continuidade às investigações contra corrupção, destravando CPIs que haviam sido engavetadas no passado.

O deputado Flavio Serafini (Psol) reforça que o PMDB vai ter dificuldade para se reestruturar após a prisão de suas principais lideranças. Nesse contexto, o partido e seus principais aliados podem ter dificuldade para impedir a abertura de comissões para investigar irregularidades em diversas áreas no estado. “Temos previsão de implementação de três CPIs, a das Isenções Fiscais, da Saúde e dos Ônibus”, afirmou o deputado.

“Vão ter muita dificuldade de se organizarem. Eles perderam seus quadros com maior poder político. A tendência é que eles tentem colocar tudo em banho-maria até o ano que vem, mas nossa posição será diferente”, afirmou o deputado.

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Alerj aprovou a soltura de Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, mas TRF determinou a prisão dos três
Alerj aprovou a soltura de Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, mas TRF determinou a prisão dos três

Segundo ele, a oposição vai pressionar o agora presidente da Casa Wagner Montes (PRB) para a implementação das CPIs, de “pautas substantivas” e a entrada de uma ações punitivas no Conselho de Ética, que até semana passada era presidida pelo deputado preso André Albertassi. O deputado do Psol acredita que haverá abertura para diálogo com Wagner Montes, por não haver ligações diretas entre o deputado e os peemedebistas presos. 

O Serafini acredita em uma “derrocada” do PMDB carioca. “Este grupo que controla o Rio há pelo menos 15 anos está muito enfraquecido perante a sociedade e judicialmente, mas continuava a exercer muito controle sobre a Alerj. Estamos presenciando uma contradição. A Justiça os prende e eles usam a força do Parlamento para tentar impedir com a maioria. Só que essas prisões desestabilizaram esse esquema de poder. Com a exceção do Pezão, que já não tem muita força política, toda a cúpula do partido foi presa.”

Serafini também comentou sobre o mandado de segurança do Ministério Público do Rio de Janeiro que pede uma nova sessão para analisar a prisão dos três parlamentares, mas “com total acesso a todo e qualquer cidadão interessado”. “Com o ambiente que se formou, com a sociedade convencida de que a crise no Rio está associada ao PMDB, seria um equívoco dos deputados continuarem ligados ao partido. De nossa parte, as próximas semanas serão de mudanças no Parlamento”, concluiu.

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* do projeto de estágio do JB

Tags: deputados, judiciário, legislativo, picciani, política, prisão, rio de janeiro, tribunal

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