Jornal do Brasil

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Rio

Helicóptero das Forças Armadas lança panfletos pedindo informações a moradores da Rocinha

Contudo, clima é de medo e de silêncio na comunidade

Jornal do Brasil

Na manhã desta terça-feira (26), agentes do Exército sobrevoaram a Rocinha, na Zona Sul do Rio, para lançar panfletos do Disque-Denúncia pedindo aos moradores que denunciem a localização de criminosos. Desde o último dia 17, confrontos entre traficantes que disputam o comando da comunidade levam pânico à população. O Disque Denúncia já recebeu 279 denúncias sobre localização de armas, traficantes e possíveis rotas de fuga dos criminosos.

Contudo, moradores da Rocinha têm evitado fazer qualquer comentário sobre a situação na comunidade, num aparente toque de silêncio ordenado por traficantes. Segundo relatos, algumas pessoas pediam para ninguém pegar os panfletos jogados do helicóptero.

Nesta manhã, houve registro de mais um tiroteio na comunidade, sem contudo detalhes das circunstâncias em que ele aconteceu. Mais de 3 mil alunos estão sem aulas na região, devido aos confrontos e à operação das Forças Armadas na comunidade.

Helicóptero das Forças Armadas lança panfletos pedindo informações a moradores da Rocinha
Helicóptero das Forças Armadas lança panfletos pedindo informações a moradores da Rocinha

A polícia identificou 59 criminosos que participaram dos confrontos na comunidade. O cerco aos traficantes da Rocinha que escaparam pela mata continua intenso. 

Os confrontos começaram após um racha na facção de comandava o tráfico na Rocinha. Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que estava no comando, era aliado de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que chefiava a comunidade antes de ser preso. Contudo, houve um racha entre os dois e os conflitos começaram. 

Associação de moradores da Rocinha convoca reunião sobre abuso de autoridade

As ações policiais de busca pelo líder do crime na Rocinha, o traficante Rogério 157, têm incomodado moradores, que denunciam excessos durante as revistas, entrada nas casas sem mandado e até arrombamentos de portas. A comunidade está ocupada por forças de segurança federais e estaduais desde a última sexta-feira (22), após acirramento do confronto entre traficantes pelo controle da favela.

Para tratar do assunto, a União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR) convocou para a tarde desta quarta-feira (26) uma reunião na quadra esportiva da localidade conhecida como Roupa Suja.

O ofício convocatório foi entregue no começo da noite desta segunda-feira (25) ao titular da 11ª Delegacia de Polícia, que abrange a Rocinha, delegado Antônio Ricardo. Segundo um representante da associação, a entidade recebeu apenas nesta segunda-feira denúncias de que 18 casas de moradores foram arrombadas pelas forças de segurança.

O ouvidor da Defensoria Pública do Estado, Pedro Strozenberg, esteve nesta segunda-feira na Rocinha para ouvir moradores. “As notícias que chegam são sempre alarmantes, relatando certa agressividade das forças policiais nas revistas. O que se nota é uma insegurança, por parte dos moradores, de como serão os próximos dias, qual a estratégia da polícia e quanto tempo as Forças Armadas vão ficar”, relatou Strozenberg.

Segundo ele, denúncias podem ser feitas de forma anônima ao telefone 129, da Defensoria Pública, ou pelo e-mail ouvidoria.dpge@gmail.com.

Desacato

Um exemplo da relação tensa entre a polícia e moradores foi a detenção de um jovem de 19 anos, no meio da tarde, acusado de ter desacatado um policial militar. A mãe do jovem disse que o filho apenas ficou nervoso com a abordagem, o que bastou para o policial levá-lo à força para a 11ª DP.

“Vocês vieram para ajudar a gente, ou para nos destruir? Basta de esculacho [desrespeito]”, protestou a mãe, em frente da delegacia. No início da noite, após ser ouvido, o jovem foi liberado.

Tags: armadas, confronto, facção, forças, militar, rocinha, traficante

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