Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

Rio

Operação no Rio prende bombeiros acusados de fraude em inspeções

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Agentes da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro cumprem nesta terça-feira (12) 38 mandados de prisão preventiva contra acusados de fraudes na inspeção de estabelecimentos comerciais pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança, os bombeiros recebiam propina para liberar o funcionamento desses locais. Pela manhã, 32 já haviam sido presos.

A investigação interceptou telefonemas sobre um esquema de corrupção para expedir alvarás mediante o pagamento de propina aos militares. Entre os 35 bombeiros denunciados há dez coronéis, sendo dois da ativa e oito da reserva, oito tenentes coronéis, dois majores, oito capitães, um primeiro tenente, um subtenente, três segundos sargentos, um terceiro sargento e um cabo bombeiro. 

Operação investiga esquema de fraude
Operação investiga esquema de fraude

Os bombeiros precisam inspecionar e liberar o funcionamento dos estabelecimentos, depois de avaliar os riscos de incêndio e acidentes. Mas, segundo a secretaria, os acusados usavam seus cargos dentro da corporação para negociar propina com os empresários e liberar o funcionamento, mesmo que o local não cumprisse os requisitos de segurança.

Entre os empreendimentos liberados para funcionar mesmo sem o cumprimento dos requisitos estão locais de diversões que reúnem grande público, inclusive um estádio de futebol. Além dos mandados de prisão, estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, quartéis do Corpo de Bombeiros e sedes de empresas.

O esquema de corrupção funcionava no setor de engenharia de diversos grupamentos militares, principalmente nos quartéis de Nova Iguaçu (4º GBM) e de Duque de Caxias (14º GBM) e no Grupamento de Operações com Produtos Perigosos (GOPP).

Entre os mandados de prisão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, estão os de dois assessores especiais do comandante-geral do CBMERJ, dos comandantes da Baixada Fluminense, de Nova Iguaçu, do Irajá, (ex-comandante de Duque de Caxias), GOPP, de Copacabana, Campinho, Jacarepaguá, do Destacamento de Paracambi e de sete coronéis da reserva.

Clube do Fluminense é investigado por propina a bombeiros

O Fluminense Football Club, que ocupou o estádio do América em 2016, é investigado por ter pago propina ao Corpo de Bombeiros por ter realizado eventos esportivos sem os documentos necessários.

A descoberta do esquema, segundo a delegada Renata Araújo, superintendente Operacional da Corregedoria Geral Unificada (CGU), foi feita durante a investigação que apura uma organização criminosa dentro do Corpo de Bombeiros que liberava documentos para o funcionamento de estabelecimentos em troca de dinheiro.

Segundo a delegada, o envolvimento do clube no esquema será alvo de outra investigação que vai começar agora para apurar também a participação de vários outros estabelecimentos no esquema criminoso dentro da corporação.

Os valores que teriam sido pagos para o funcionamento do estádio do América ainda não foram informados para não atrapalhar a próxima investigação. O documento principal que o clube não tinha e que era necessário para o funcionamento de eventos com público é o laudo de prevenção e combate a incêndio (LPCI).

Tags: acusação, bombeiros, civil, corpo, esquema, investigação, ministério, polícia, público, rio

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