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MPF pede bloqueio de R$ 1 bilhão de Nuzman, "Rei Arthur" e sua ex-sócia

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu o bloqueio de até R$ 1 bilhão do patrimônio de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB); do empresário Arthur Cesar Soares de Menezes Filho, conhecido como "Rei Arthur"; e de sua ex-sócia Eliane Pereira Cavalcante. Os três são acusados de participar de esquema de compra de voto para a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

De acordo com o MPF, o bloqueio tem o objetivo de reparar os danos causados na fraude na escolha da sede da Olimpíada, e inclui bens como apartamentos, joias, carros e até um jatinho particular. As investigações apontam que os três obtiveram lucros mediante prática de corrupção e, com isso, lesaram os cofres públicos. 

Carlos Arthur Nuzman é alvo da Operação Lava Jato

Na ação de busca e apreensão realizada na casa do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, durante a Operação Unfair play, nesta terça-feira (5), policiais federais apreenderam a quantia de cerca de R$ 480 mil em dinheiro vivo. O que chamou a atenção dos agentes foi o fato de terem sido encontrados valores em cinco moedas diferentes, nas seguintes quantidades: Real (102.950), Dólar (35.472), Euro (67.720), Libra (1.315) e Francos Suíços (8.260).

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que autorize o bloqueio de pelo menos R$ 1 bilhão dos patrimônios de Nuzman, do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho — conhecido como "rei Arthur" por dominar os contratos de prestação de serviços com o governo do estado do Rio — e de sua sócia Eliane Pereira Cavalcante, a título de danos morais à coletividade fluminense.

Ele também teve os veículos bloqueados - poderá continuar usando, mas não poderá vendê-los, para o caso de serem apreendidos futuramente. Nuzman precisará ainda entregar o passaporte - há a suspeita de ele possuir um passaporte russo para usar em uma eventual fuga, mas o documento não foi encontrado em sua casa.

Além do dinheiro, a polícia apreendeu na casa de Nuzman documentos e um computador, de onde pretende tirar provas de sua participação no esquema de compra de votos para a candidatura do Rio. Pesam contra o cartola as viagens feitas a países africanos nos meses que antecederam a escolha da sede olímpica. A suspeita contra Nuzman ainda precisa de mais elementos concretos, o que explica ele ter sido apenas levado a depor, e não ter tido a prisão pedida pelo MPF.

Dinheiro para Cabral

Segundo o Ministério Público Federal, Arthur Soares, o empresário conhecido como "Rei Arthur", transferiu U$ 2 milhões, dinheiro de propina do então governador Sergio Cabral, para o senegalês Papa Massada Diack, filho do empresário Lamine Diack. O objetivo era garantir que o Rio teria votos de membros de confederações africanas para que o Rio vencesse a disputa para ser sede da Olimpíada em 2016.

O dinheiro foi repassado através da Mattock Capital Group, uma empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e com Arthur como proprietário.

Operação

Na manhã desta terça-feira (5), agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal deflagraram mais uma fase da Operação Lava Jato, batizada de Unfair Play, desta vez tendo como alvo  suspeitos de comprar jurados da eleição do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Buscas foram feitas na casa de Carlos Arthur Nuzman, no Leblon, Zona Sul do Rio, além da sede do COB. Nuzman foi intimado a depor nesta terça na sede da PF.

Há ainda um mandado de prisão contra Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como Rei Arthur (ex-dono da fornecedora do Estado chamada Facility), e outro contra Eliane Pereira Cavalcante, ex-sócia dele na empresa. 

De acordo com investigações, Nuzman teria tido participação direta na compra de votos do membros do COI para os Jogos e que teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores.

O dinheiro do esquema vinha do empresário Arthur Soares, que abastecia uma conta no Caribe, gerenciada por um operador do esquema do ex-governador de Sérgio Cabral. Arthur Soares está em Miami, nos Estados Unidos, e pode ser preso lá ainda nesta terça.

O Ministério Público das Finanças francês também participa da ação, já que já vinha investigando o esquema de compra de votos para a escolha da sede da Olimpíada.

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