Jornal do Brasil

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

Rio

Cabral pede o afastamento do juiz Bretas

O magistrado teria feito um prejulgamento em uma entrevista, segundo o advogado do ex-governador

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O advogado de defesa do ex-governador Sérgio Cabral, Rodrigo Rocca, pediu a suspeição e o afastamento do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, do processo que investiga o envolvimento do político na compra de joias da H.Stern, dentro da Operação Calicute. De acordo com o advogado, o magistrado fez um pré-julgamento do ex-governador em uma entrevista ao jornal Valor Econômico, na qual “dizia que tinha somente uma dúvida na questão das joias: se era propina ou se era lavagem de ativos”.

Na avaliação do advogado, Bretas teria feito um prejulgamento. “Ele praticamente anunciou a sentença que vai dar. Ele sabe que vai condenar, só não sabe por que crime. Isso torna um juiz suspeito para julgar a causa, uma vez que o processo está no início, e nós apresentamos uma peça de defesa até agora. A primeira foi sexta-feira”, afirmou Rodrigo Rocha à época da entrevista.

Roca quer que o juiz Marcelo Bretas se declare suspeito para prosseguir à frente do processo 0135964. Caso haja a suspeição, será indicado um substituto. Caso Bretas não acolha o pedido de afastamento, a decisão caberá ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Marcelo Bretas julga o caso de Sérgio Cabral
Marcelo Bretas julga o caso de Sérgio Cabral

A defesa de Cabral também fez uma crítica à atuação do Ministério Público Federal (MPF). "A genialidade bélica, a fanfarra, tudo apraz à assistência inebriada pelo discurso quase convincente - porque estampado numa denúncia - de que delatores são pessoas bem intencionadas e arrependidas, que prestam suas declarações espontaneamente e livres de qualquer tipo de ameaça, legal ou não", diz o texto da defesa do ex-governador, referindo-se aos acusadores.

Rodrigo Rocca aproveitou para pedir a absolvição de Cabral "pela ausência de provas nas condutas que lhe foram imputadas"; ou que, no caso de condenação, que o ex-governador cumpra a pena em regime aberto ou, no máximo, semiaberto.

O juiz Marcelo Bretas não quis se pronunciar e informou que tudo será decidido na sentença.

Tags: corrupção, ex-governador, joias, marcelo bretas, ministério público

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