Jornal do Brasil

Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

Rio

Dornelles critica gestão de Pezão e diz que provas contra Cabral são "contundentes"

Vice-governador afirma que polícia nas favelas aumenta risco de atingir inocentes

Jornal do Brasil

Em entrevista ao repórter Thiago Prado, da revista Veja, o ex-ministro e vice-governador do Rio de Janeiro Francisco Dornelles (PP) fez duras críticas à gestão e aos gastos de Sérgio Cabral e à administração do atual governador, Luiz Fernando Pezão. Sem rodeios, Dornelles afirmou que a atual política de segurança pública do estado "está errada".

"A UPP tem 12 mil homens e nos bairros, onde estão ocorrendo efetivamente os roubos e assassinatos, não há policiamento. Estão usando grande parte da polícia para ficar dentro das favelas sem qualquer tipo de inteligência. A fiscalização para coibir a chegada das armas nas mãos dos bandidos deveria acontecer nos portos, aeroportos, rodovias e acesso das favelas. Não chove fuzil no morro, as armas estão vindo de algum lugar. Se você deixa para combater os traficantes só lá dentro da favela, o risco de o tiroteio atingir pessoas inocentes aumenta", afirma Dornelles, que elogiou o secretário de Segurança, Roberto Sá, mas disse que ele "tem que repensar o projeto".

Vice-governador criticou UPP: "Não chove fuzil no morro, as armas estão vindo de algum lugar"
Vice-governador criticou UPP: "Não chove fuzil no morro, as armas estão vindo de algum lugar"

Aos 82 anos e com passagens pela Câmara dos Deputados, Senado e por ministérios nos governos de Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, o vice-governador disse que ficou assustado com o escândalo de propina, corrupção e organização criminosa envolvendo Sérgio Cabral (PMDB) e que as provas dos crimes "são muito contundentes".

"É tão absurdo que às vezes me pego torcendo para não ser verdade. As provas são muito contundentes. Nunca imaginei, contudo, que ele e seu grupo estariam operando nesta dimensão. (...) O que eu digo é que se fosse revelado que faziam apenas caixa dois… Isso todas as campanhas fizeram no Brasil esses anos todos. Agora cobrar percentual em cada obra? Isso eu nunca poderia imaginar. Tomei um susto quando soube de tudo", revelou, acrescentando que a roubalheira pode ter contribuído para a crise do estado do Rio "na medida em que começaram a fazer obras demais movidas por outros interesses".

Questionado sobre o nebuloso cenário eleitoral de 2018, Dornelles afirma que tudo dependerá se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará ou não na disputa. O vice-governador conta que o deputado Jair Bolsonaro diz ter certeza de quem vencerá a eleição para a Presidência da República, mas ele pondera.

"De verdade, acho muito difícil prever o futuro. No Brasil um ano é um século e, historicamente, todas as previsões estão sempre erradas. Quem imaginaria que Fernando Collor sairia de Alagoas, seria eleito e depois deposto?  Todos achavam que o Itamar Franco ao assumir seria um desastre, deu certo. Depois, ganhou o FHC que anos antes estava preocupado com a eleição para deputado. Quem poderia imaginar que Lula faria dois governos fortes e sairia com tamanha aprovação popular? Elegeu uma mulher que ninguém conhecia e que depois foi expulsa do cargo", analisa Dornelles, apostando que na disputa entre Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, nas prévias do PSDB, o governador sai ganhando. "Ele tem o partido e o controle dos diretórios".

Tags: administração, críticas, dornelles, estado, gestão, governo, pezão, política, rio de janeiro

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