Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Rio

Polícia Civil faz reconhecimento de agentes em caso de agressão a estudante em delegacia

Andrei Apolônio teve três dentes quebrados. Caso é investigado como homofobia

Jornal do Brasil

Nesta segunda-feira (17), a Polícia Civil deve fazer o reconhecimento dos policiais acusados de agressão dentro da 81ª DP (Itaipu), em Niterói, na Região Metropolitana. O estudante Andrei Apolônio denunciou que foi agredido quando foi fazer um registro do roubo de seu celular, na quinta-feira (13). A Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) está investigando se a agressão pode ter motivação homofóbica.

Andrei, de 23 anos, calouro de Artes na UFF, conta que comemorava o fim do primeiro período na Universidade Federal Fluminense com amigos na última quarta-feira (12), e no percurso de volta para casa adormeceu no ônibus. Quando acordou, por volta de 4h da manhã, se deu conta de que seu celular havia sido furtado. Em seguida, ainda de acordo com o estudante, se dirigiu a 81ª DP de Itaipu para fazer o registro de ocorrência, quando foi agredido verbalmente e fisicamente pelo policial de plantão na madrugada de quinta.

Andrei foi agredido em delegacia
Andrei foi agredido em delegacia

>> Estudante da UFF denuncia agressão de policial por homofobia 

O caso foi levado à Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) na noite de quinta-feira (13), onde a delegada de plantão, Viviane Batista, determinou o registro da ocorrência e o encaminhou a exame de corpo de delito. 

As Comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estão acompanhando o caso de Andrei, e oferecendo suporte à vítima no decorrer do processo.

“Eu quero justiça, eu quero que a pessoa que fez isso veja o quão marginal e animalesca ela foi. Ele deve pagar por isso”, disse o estudante em entrevista ao JB.

O estudante afirma que foi arrastado para dentro da delegacia, ao mesmo tempo em que era humilhado por sua orientação sexual. Após tentativa de fuga, foi novamente agredido fisicamente até perder três dentes. 

“Eu entrei em um lugar para fazer um Boletim de Ocorrência sem nenhum arranhão e sai aos cacos e sem o registro. Mas estou bem, podia estar pior”, disse Andrei que lembra que sofreu ameaça de morte, caso denunciasse o caso. "Ele disse que da mesma forma que fez o que fez, podia 'descarregar um pente' em mim", completou. 

As comissões de Direitos Humanos que estão acompanhando o caso de Andrei denunciam, principalmente, a violação de direitos pelo Estado: “Tortura em cárcere privado em uma unidade do estado praticada por um agente de segurança pública contra um cidadão que só queria registrar uma queixa”, disse Benny Briolly, assessora parlamentar transsexual, que cuida da pauta LGBT no gabinete da vereadora de Niterói Talíria Petrone (PSOL).

“Eu estava vivendo o melhor momento da minha vida até acontecer isso. Mas isso não é um ponto final, é apenas uma vírgula”, disse o estudante, que ressalta que ainda sente medo, porém não pretende ficar deprimido, e sim levar a denúncia até o fim.

“O meu sentimento é de me fortalecer, eu estou me mantendo muito confiante, e tentando sobreviver. Eu preciso, a partir de agora, resguardar a minha vida, e a vida dos meus familiares e amigos que amo e não quero colocar em risco. O que me incomoda é que de certa forma eu dependo de outros policiais para julgar o meu caso”, acrescentou.

Tags: agressão, delegacia, estudante, homofobia, uff

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