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Pezão desmente ex-presidente do TCE e nega recebimento de propina

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O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), prestou depoimento nesta quinta-feira (6), na sede do Ministério Público Federal da capital fluminense, como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso desde outubro do ano passado na Operação Calicute.

Pezão negou ter conhecimento sobre qualquer repasse de propina a Cabral enquanto foi ex-governador do estado. "Nunca. Comigo, nunca", respondeu o governador, ao ser questionado, em videoconferência, pelo juiz Sergio Moro se Cabral já havia feito algum comentário sobre as propinas.

O governador confirmou que fez reuniões com integrantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), mas rechaçou a tese de que tenha discutido repasse de propinas oriundas do esquema de Sérgio Cabral e que envolvia conselheiros do tribunal presos na semana passada na Operação O Quinto do Ouro. Na saída, ele comentou as acusações:

"Essa reunião foi para cobrar porque todos nós éramos cobrados tanto pela população, nos atrasados de obras e pela demora na liberação de recursos que vinham de Brasília e que submetíamos ao TCE. O motivo da reunião foi esse", disse Pezão, acrescentando que vai processar quem o acusou de ser beneficiário de propinas em torno de R$ 900 mil para pagamento de despesas pessoais. "Vou processar quem falou, mas não tive acesso (à delação), quem falou que eu recebi".

Em delação premiada, Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente do TCE, Jonas Lopes, disse que o governador teria recebido R$ 900 mil em recursos ilícitos por meio de seu subsecretário de Comunicação, Marcelo Amorim.

“É uma mentira deslavada. Eu nem conheço Jonas Lopes Neto. O Marcelo já depôs. Eu tenho muita tranquilidade quanto a isso. Quem conhece a minha vida, conhece o meu padrão de vida. Isso aí foge a qualquer propósito. A única coisa que eu sei é que vou processá-lo pela mentira. Eu tenho uma vida pública de 32 anos e vocês nunca vão me ver fazer uma ação como essa”, disse Pezão.

O governador confirmou que fez uma reunião em sua casa, em 2013, conforme delatado por Jonas Lopes, mas negou que tenha sido discutido repartição de propina entre os conselheiros do TCE. Segundo ele, o motivo da reunião era agilizar processos para liberação de recursos federais para o estado e a realização de obras.

“Teve a reunião. Ele falou que eu era secretário de Obras e eu não era mais secretário de Obras. Nós fizemos aquela reunião porque o estado do Rio de Janeiro é um dos únicos estados do Brasil atendendo a uma recomendação, desde o início do governo Sérgio Cabral, de submetermos todos os nossos editais previamente ao Tribunal de Contas. E a gente fez isso durante quase todo o mandato. E estava demorando muito a análise. E a gente fez isso como precaução. Essa reunião foi para cobrar [agilidade do tribunal]”, disse Pezão.

Comperj

Referente à suspeita de superfaturamento na terraplanagem do Comperj, Pezão classificou de mentira. “É uma grande mentira. Tanto que houve arquivamento duas vezes, pedido pela Polícia Federal. Isso é uma mentira deslavada. Infelizmente, as pessoas jogam o seu nome, eu nunca participei dessa conversa, não teve essa conversa na minha presença.”

Perguntado se acreditava na inocência do ex-governador Sérgio Cabral, de quem foi vice, e que atualmente está preso em Bangu 8, Pezão respondeu: “Estão dando o direito dele se defender. Eu convivi com o homem público Sérgio Cabral, com a família dele eu tenho um profundo respeito. Se ele errou, cumpra as penas que têm de ser cumpridas.”

Pezão vai depor novamente à Justiça Federal nesta sexta-feira (7), desta vez ao juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal. Ele novamente será testemunha de defesa de Sérgio Cabral em processo por corrupção, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional dentro da Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato, realizada em novembro de 2016 e que levou Cabral à prisão.

Com Agência Brasil

Tags: Rio de Janeiro, calicute, delação, depoimento, estado, lava jato, o quinto do ouro, polícia, política

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