Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Rio

No Rio, Lei Seca reduz em 43% o número de motoristas alcoolizados em oito anos

Agência Brasil

A Operação Lei Seca, criada em 19 de março de 2009, completou neste domingo (19) oito anos de existência. Neste  período foram registradas mais de 17 mil ações de fiscalização por todo o estado, com mais de 2,4 milhões de motoristas abordados. Destes, cerca de 167 mil pessoas apresentavam sinais de embriaguez e tiveram suas carteiras de habilitação recolhidas pela Lei Seca. Devido a estes dados,  uma missa em agradecimento foi celebrada na Igreja da Candelária, no centro do Rio.

Segundo a legislação de trânsito em vigor, quem é flagrado dirigindo sob a influência de álcool ou de qualquer substância psicoativa, terá a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por 12 meses, pagará multa de R$ 2.934,70, terá retenção do veículo até a apresentação de um condutor habilitado e o recolhimento do documento de habilitação. E, caso seja flagrado novamente, no período de até 12 meses, a multa será aplicada em dobro, passando a ser R$ 5.869,40. Além do aspecto educativo e de fiscalização, a Lei Seca também gerou bons resultados para a segurança pública do estado. Durante as blitzes, foram capturados 152 foragidos da Justiça. Os agentes também recuperaram 146 veículos roubados e apreenderam 64 armas de fogo.  

Segundo o coordenador-geral da operação, tenente-coronel  da Polícia Militar (PM), Marco Andrade, hoje é um dia para ser comemorado. Segundo ele, a Lei Seca vem cumprindo a risca o seu papel de conscientizar a população sobre os riscos de dirigir embriagado e de diminuir o índice de acidentes."Além disso, a gente busca interagir no cotidiano das pessoas à necessidade para mudar o estilo de vida.  Ao longo desse período temos números expressivos e significativos que comprovam a eficiência da operação, com a redução de 43% no número de motoristas alcoolizados." 

Agentes da operação fizeram ações de conscientização ao longo do dia de hoje (20) em diversos pontos do centro. O número de pessoas alcoolizadas flagradas ao volante vem caindo gradualmente no estado do Rio de Janeiro desde a implantação desta lei, segundo o governo do Estado. Nesses 8 anos, o percentual de motoristas embriagados nas blitzes era de 7,9%. Passados 8 anos, esta média caiu para 4,5%, ou seja, houve uma diminuição de 43% nas incidências de alcoolemia.

No final de 2008, o adolescente Thayrone Amaral de Souza, ainda menor de idade, com apenas 17 anos, resolveu pegar a moto para ir até a casa da namorada por volta da meia-noite após passar o dia bebendo com os amigos. Thayrone se chocou em um buraco na pista durante o percurso, e foi arremessado contra uma caçamba de entulho que o fez ter lesões na clavícula, costela e ainda uma perfuração no pulmão. Hoje, o rapaz trabalha como agente da Operação Lei Seca e diz que o ocorrido serve como exemplo durante as abordagens que faz.

"Espero que ninguém escute o que eu ouvi dos médicos naquele dia. Saber que nunca mais poderá andar é sofrido demais. Por um bom tempo eu só conseguia chorar e lamentar pela bobagem que cometi. Graças a Deus, hoje,  eu tenho muito orgulho e prazer de fazer este trabalho de conscientização, porque meu erro pode servir de lição para jovens que têm a mesma idade que eu tinha naquela época. Aliás, esta é uma lição para todos. Do mais velho ao mais novo," disse. 

Em alguns casos, mesmo se a pessoa não estiver alcoolizada pode acabar se envolvendo em um acidente no trânsito. Esta foi a história de Orlando Silva, que não ingere bebida alcoólica, mas entrou em um veículo conduzido por uma pessoa embriagada. O motorista, após beber seis latas de cerveja, cochilou na direção e acabou perdendo o controle do carro. O automóvel capotou oito vezes, segundo ele, ocasionando uma lesão na medula. Assim como Thayrone, Orlando também, atualmente, trabalha como agente da Lei Seca e procura alertar sobre os outros riscos que a bebida traz.

"Como foi exatamente o meu caso. É curioso, pois nunca botei uma gota de álcool na boca, mas caí no erro de entrar em um carro conduzido por um motorista embriagado. A bebida é um inimigo forte da direção, como o meu caso pode comprovar. Eu não tinha nada a ver com aquilo e acabei me acidentando gravemente. E ele, que havia bebido todas, saiu ileso. É uma luta diária, mas que muito me orgulha, pois estamos aí podendo ajudar várias pessoas a não errarem", disse Orlando.

Tags: carteira, detran, motorista, vida, álcool

Compartilhe: