Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Rio

Obras da Prefeitura estão paradas no Rio

Empreiteiras reclamam de falta de pagamento; Eduardo Paes nega

Jornal do Brasil

Apesar de o prefeito Eduardo Paes negar, os sinais que a crise financeira pela qual o estado do Rio atravessa chegou aos cofres do município são cada vez mais evidentes. Obras consideradas como carro chefe da prefeitura, que inclusive foram usadas durante campanha política do candidato Pedro Paulo como sinal de evolução da cidade durante a gestão de Paes – a qual Pedro Paulo prometia dar continuidade – estão paralisadas. Como é o caso do BRT Transbrasil e da segunda linha do VLT Carioca.

Uma matéria divulgada no jornal O Globo mostra que poucos dias antes do primeiro turno das eleições municipais, as obras de urbanização do bairro Jardim Garrido, sub-bairro de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio foram paralisadas. No local é possível avistar a placa de inauguração das obras do Bairro Maravilha, instalada no mês de janeiro na presença do então secretario de governo do prefeito Eduardo Paes, e ex-candidato à sucessão na chefia do executivo, Pedro Paulo.  A promessa da prefeitura é de que o local fosse totalmente revitalizado até o final de 2016, o que claramente não aconteceu.

A crise financeira atingiu também o recém inaugurado Parque Madureira, que ficou literalmente no escuro na última quinta-feira (20), já que as contas de luz do local estão atrasadas há três meses – de acordo com a prefeitura, o pagamento não foi feito por motivos burocráticos. 

Após o desligamento da energia, a prefeitura se reuniu com a Light e conseguiu que a eletricidade do local fosse religada, comprometendo-se a quitar a dívida até a próxima quarta-feira (26).

De acordo com informações do Portal da Transparência, no Bairro Maravilha, em Guaratiba, o município pagou apenas 30% do valor previsto (R$ 14 milhões de R$ 45 milhões).

Eduardo Paes nega crise financeira e diz que contas do município estão em dia
Eduardo Paes nega crise financeira e diz que contas do município estão em dia

A prefeitura confirma a paralisação da obra do BRT Transbrasil duas semanas após afirmar que no momento, estava sendo feito a faze de mobilização de canteiros. Em nota, a Secretaria Municipal de Obras (SMO) confirmou que a obra parou e que deveria ter sido retomada em setembro.

“A SMO já advertiu o consócio para que as frentes sejam retomadas o quanto antes. Caso as obras não sejam retomadas, a prefeitura pode aplicar as medidas previstas em contrato”, diz a nota.

A nota da SMO não vai de encontro com o posicionamento do consórcio responsável pela obra, que garante “aguardar a regularização do contrato vigente para que as obras sejam retomadas”.

No caso do VLT Carioca, há um mês a Alstom ameaçou suspender a manutenção do serviço caso a prefeitura não quitasse a dívida no valor de R$ 60 milhões. Os operários da empresa Azevedo & Travassos, responsável pelas obras da próxima fase, denunciam atrasos nos pagamentos, e dizem que, após a votação do primeiro turno das eleições municipais, 70% da mão de obra foi substituída por trabalhadores temporários, que recebem através de diárias.

O prefeito Eduardo Paes garantiu que não existem dívidas com nenhuma empreiteira e que os pagamentos estão em dias. De acordo com Paes, as contas do município estão todas em dia.

“As empreiteiras responsáveis pelas obras do BRT Transbrasil estão querendo reajustes e aditivos. E eu não quero dar. Estamos notificando (as empreiteiras). A prefeitura não deve um tostão a empreiteira nenhuma. Ao contrário, antecipa recursos que deveriam ser pagos pelo governo federal. Esse é o jogo tradicional dos empreiteiros. Eles sempre fazem assim. O dinheiro vem através de um financiamento do governo federal e está em dia. A prefeitura tem suas contas perfeitamente em ordem. Duvido que algum governo no país pague em dia como a prefeitura do Rio. Ajustes de fim de governo estou fazendo desde o momento em que terminou o primeiro turno (das eleições) para fazer a transição de forma adequada. Não existe um prestador de serviço (cujo pagamento esteja) em atraso”, reclamou Eduardo Paes.

Segundo um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM), a arrecadação de impostos caiu na cidade. A crise econômica refletiu com um enfraquecimento no comércio e na realização de serviços, reduzindo assim a arrecadação de Impostos sobre Serviços (ISS) em 1,7% em relação a 2014. O imposto medido através da venda de imóveis (ITBI) caiu 16,89%.

O gabinete do vereador Renato Cinco (Psol) realizou um levantamento mostrando que o próximo prefeito terá um desafio ainda maior: o orçamento previsto para o ano de 2017 é de R$ 3 bilhões a menos se comparado ao deste ano.

Tags: FINANÇAS, Obras, Rio, crise, município, paralisação, prefeitura

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