Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Rio

Especialista questiona eficiência do VLT: "Não é transporte de massa"

Urbanista alerta para relação custo-benefício do modal, que custou R$ 1,15 bilhão 

Jornal do Brasil Felipe Gelani *

Não bastassem os recentes problemas de falhas no sistema do Bilhete Único nos postos de recarga do VLT Carioca, que geraram filas enormes em estações, a eficiência e utilidade do transporte, comparadas com seu elevado custo, o colocam cada vez mais na berlinda.

O professor de MBAs em sustentabilidade da FGV e UFRJ e urbanista Carlos Murdoch questiona a utilidade do veículo como meio de transporte de massa. Para ele, o VLT seria essencialmente um modal turístico, apesar de seu elevado custo colocar sua rentabilidade em xeque. A Prefeitura do Rio o classificou como meio de transporte básico para a população carioca.

Em um vídeo publicado em seu canal no Youtube, o professor explica que o veículo existe apenas para valorizar o território da Zona Portuária, ao conectá-la ao Centro da cidade. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Murdoch reiterou o posicionamento. “O VLT custou cerca de R$ 1,15 bilhão, oficialmente. Metade do dinheiro vem de financiamento público, a outra metade de uma parceria público-privada. Ou seja, mais ou menos metade é pago pela gente de novo. Pagamos por volta de 75% do VLT. Todos os cariocas pagaram para valorizar apenas a região da Zona Portuária.”

Especialista questiona eficiência do VLT: "Não é transporte de massa"

O VLT foi inaugurado no dia 5 de julho, ligando apenas o Aeroporto Santos Dumont e a Rodoviária Novo Rio. Para o professor, pela baixa capacidade e alcance de atuação, ele não pode ser considerado transporte de massa. “Atualmente, o VLT Carioca sai de 15 em 15 minutos. Mesmo se saísse de 3 em 3, teríamos, aproximadamente, 20 trens/hora. Cada trem pode conduzir aproximadamente 400 passageiros. Quer dizer, com o veículo funcionando muito bem e no pico de uso, ele pode transportar por volta de 8 mil pessoas/hora, por sentido”. Segundo o professor, um meio de transporte público de baixa capacidade, como vans ou similares, transporta até 10 mil pessoas/hora. O metrô, por exemplo, atinge de 30 a 40 mil pessoas/hora. Segundo o engenheiro elétrico Peter Alouche, o veículo tem um custo de manutenção diário de aproximadamente R$ 1 milhão.

Além de sua baixa capacidade, o VLT para de funcionar em caso de chuva forte. Diferentemente dos trens e do bonde de Santa Teresa, que utilizam a fiação catenária - aquela que vai por cima da composição - o veículo funciona com um sistema chamado APS, cuja alimentação elétrica principal se dá por um terceiro trilho. Segundo o professor, o APS só é eletrificado quando o trem passa por cima do trilho.

Murdoch também ressaltou que o sistema de drenagem da Avenida Rio Branco deixa muito a desejar. Em caso de chuva e empoçamento das vias, por onde também passam pedestres, o sistema de alimentação é interrompido, e o veículo passa a funcionar com o uso de baterias. “No entanto, o veículo só anda de 50 a 70 metros com a bateria, interrompendo seu funcionamento”, explicou.

* do projeto de estágio do JB



Tags: benefício, custo, rio, transporte, trilhos, vlt

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