Jornal do Brasil

Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

Rio

Protestos marcam enterro de mototaxista morto por PM na Vila Cruzeiro

Jornal do Brasil

Foi sepultado na tarde desta segunda-feira (9), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, o corpo do mototaxista Diego da Costa Algarve, de 22 anos, morto por disparo de um policial militar durante abordagem na Vila Cruzeiro, na Penha, na manhã deste domingo. Parentes, amigos e colegas pediram punição para o autor dos disparos. 

O caixão foi coberto por camisas da cooperativa em que Diego trabalhava. Os colegas seguravam capacetes nas mãos.

Após o enterro, cerca de 500 mototaxistas e moradores fizeram uma manifestação até a Vila Cruzeiro. Eles seguiram em velocidade reduzida pela pista central da Avenida Brasil, sentido Centro, mas não chegaram a interditar o trânsito. Durante o percurso, promoveram um buzinaço.

Na Vila Cruzeiro, o clima ficou tenso. Comerciantes fecharam as portas com medo de novos tumultos. Os policiais reforçaram a segurança no local para tentar evitar protestos violentos por parte dos moradores contra a morte do rapaz. Apesar da segurança, os moradores atearam fogo em madeira e atravessaram um caminhão da Comlurb na Rua A, além de montarem várias barricadas. Depois, jogaram pedras e garrafas nos policiais, que revidaram com bombas de gás. Não houve feridos. Os bombeiros tentaram chegar ao local, mas não conseguiram por causa das barricadas. 

 

Uma mulher em pânico corre com a chegada do caveirão da PM na Vila Cruzeiro
Uma mulher em pânico corre com a chegada do caveirão da PM na Vila Cruzeiro

Beltrame diz que ação de PMs na Vila Cruzeiro foi desastrosa

Uma 'ação desastrosa'. Esta foi a avaliação do secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, sobre a abordagem feita por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que resultou na morte do mototaxista Diego da Costa Algarve, de 22 anos, na Vila Cruzeiro, na Zona Norte da cidade, neste domingo (8/2). A declaração de Beltrame, nesta segunda (9), aconteceu após um grupo de moradores e mototaxistas revoltados atearam fogo em pedaços de madeira e o clima ficar tenso na comunidade desde a morte do jovem.

"Qualquer academia de polícia do mundo diz que o policial só deve atirar quando estiver com a vida em risco ou a vida de terceiros . Mas tudo isso será visto pelo inquérito policial. Se tiver que punir, vamos punir", garantiu o secretário. Beltrame disse ainda que o treinamento dos PMs que atuam em comunidades está passando por reformulação e uma nova turma deve ser aberta em breve. 

Um vídeo amador gravado durante o tumulto mostra moradores indignados com a violência contra Diego e algumas testemunhas acusam um policial de ter atirado no rapaz. A família do mototaxista afirma que ele estava retornando de uma festa quando foi abordado pelos PMs. 

Policiais da Divisão de Homicídios foram à favela para fazer a perícia neste domingo (8). Revoltados, moradores atearam fogo em objetos, segundo relatos em redes sociais, e a polícia usou bomba de efeito moral para dispersar a confusão. Houve mais tumulto durante a retirada do corpo do local, quando mototaxistas e moradores jogaram pedras na PM. Com carro blindado e motocicletas, policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) deram reforço ao patrulhamento da UPP. 

Diego teria sido baleado nas costas após não obedecer à ordem de um policial para parar a sua moto. Uma primeira nota da Coordenadoria das UPPs informa que a corporação irá abrir um inquérito para investigar o caso.

Tags: Irajá, cemitério, colegas, enterro, motoboy

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