Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Rio

Delta pede redução de multa de R$17 milhões alegando que ‘pode quebrar’

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O site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo informa que a Delta Construções move um processo contra o Ministério Público Estadual, pedindo “Impugnação ao Valor da Causa”, ou seja, que o valor fixado pela justiça num processo de improbidade administrativa seja reduzido. No último dia 14, o processo foi  proferido e o MP aguarda o recebimento. O processo está tramitando na justiça desde julho de 2013 e o promotor de justiça pediu R$ 17.606.558,47 como restituição por irregularidades em contratos com a  Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES).

Na denúncia inicial, o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, diz que há irregularidades na contratação da Delta pelo DER-ES, em 2010, e pede que esse valor de quase R$ 17 milhões seja dado à causa. O promotor ainda lembra que o contrato saiu de R$ 3 milhões para quase R$ 13 milhões. O MPES não se pronunciou até o fechamento desta matéria. A assessoria da Delta não foi encontrada.  

O caso será analisado pelo juízo da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual. Segundo o jornal Século Diário, em matéria publicada nesta segunda-feira (18), essa condenação poderia “quebrar a empresa” e provocar o “enriquecimento indevido do Estado”.

A Delta vem sendo investigada desde 2012, através da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Cachoeira. Tudo começou com a operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que, em 2012, tentava desarticular uma organização que explorava máquinas caça-níqueis e jogos de azar. A investigação chegou a Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), através da operação Saint-Michel, um desdobramento da Monte Carlo, prendeu ex-diretor da Delta Construções para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu.  Líder em projetos contratados pelo PAC, a empreiteira recebeu R$ 2,9 bilhões do Estado e R$ 1,4 bilhão do governo do estado do Rio de Janeiro desde 2007. De acordo com as gravações da Polícia Federal, Cachoeira teria envolvimento direto com a Delta, agindo como lobista da empresa junto a agentes públicos.

Carlinhos Cachoeira foi preso em 2012 e continua detido até agora. A Delta, por sua vez, foi impedida de participar de licitações, em 2012. Depois disso, sua presença em contratos com o governo foi permitida em uma liminar. Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a decisão de junho de 2012 da Controladoria-Geral da União (CGU) que declarou a Delta Construções inidônea para fazer contratos com a Administração Pública.

Já os bens do dono da Delta, Fernando Cavendish, foram retidos à época, mas liberados em março deste ano. O Tribunal Regional Federal do Rio autorizou a liberação dos bens do empresário. De acordo com estimativa da PF, o patrimônio bloqueado de Cavendish se aproxima de R$ 330 milhões.

Mais recente polêmica envolve Delta com doleiro

A empresa Malga Engenharia, do doleiro Alberto Youssef foi contratada pela Delta Construções para uma obra de R$ 144 milhões, do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit). Amigo do deputado André Vargas (PT-PR), que está de licença depois de pressões internas do partido, Youssef foi preso este ano pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato.

>>Para acabar com a corrupção, é preciso encontrar os corruptores

>>Contadora de Youssef diz que deputado é sócio de doleiro

>>Doleiro Youssef tem relação com a Delta

Tags: cachoeira, cavendish, delta, escândalo, multa, operação lava jato, operação monte carlo, youssef

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