Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Rio

Pé no freio: material de candidatos da coligação do PMDB fica escasso na cidade

Faixas e cartazes produzidos pela High Level foram retirados de vários bairros nesta segunda

Jornal do BrasilCláudia Freitas

Três dias depois de o Ministério Público Eleitoral (MPE) no Rio de Janeiro revelar um suposto esquema de desvio de dinheiro público na produção de material de propaganda eleitoral da coligação do PMDB, pela gráfica High Level Signs, a cidade amanheceu nesta segunda-feira (11/8) sem grande parte das faixas e cartazes dos candidatos que tiveram seus materiais produzidos na empresa de comunicação visual. Até sexta-feira passada (8), a propaganda eleitoral de alguns candidatos do PMDB e de partidos coligados avançava a passos largos em diversos bairros cariocas, com farto material gráfico instalado em muros, nas esquinas mais movimentadas e pontos estratégicos.

Propaganda eleitoral na Zona Sul do Rio de Janeiro
Propaganda eleitoral na Zona Sul do Rio de Janeiro

A fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) na última sexta (8) lacrou, por tempo indeterminado, a High Level Signs, que fica localizada no Méier, Zona Norte da cidade. Nesta terça (12), o TRE deve encaminhar o relatório das investigações à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE). Se encontrar indícios de fraude na emissão das notas fiscais emitidas pela empresa, o tribunal deve propor a cassação do registro de candidatura ou do diploma dos envolvidos no esquema. 

Pelas investigações do TRE, a gráfica mantém contratos com a prefeitura do Rio e o Governo Estadual, com indícios de participação em esquema de desvio de dinheiro público para elaboração da propaganda de candidatos governistas da coligação PMDB, PP, PSC, PSD e PTB, em especial do ex-chefe da Casa Civil do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o candidato a deputado federal Pedro Paulo (PMDB). Foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, farto material de campanha, oito computadores e documentos. No galpão da empresa foram encontrados faixas e cartazes do candidato à reeleição a governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), a deputado federal Pedro Paulo (PMDB), Leonardo Picciani (PMDB), Sávio Neves (PEN) e Rodrigo Bethlem (PMDB) e a deputado estadual Lucinha (PSDB), Carlos Osório (PMDB), Serginho da Pastelaria (PTdoB), André Lazaroni (PMDB) e Rafael Picciani (PMDB). 

Parque gráfico da High Level Signs, no Méier
Parque gráfico da High Level Signs, no Méier

Invertendo o ritmo da campanha eleitoral que acelerou na cidade na semana passada, nesta segunda (11) diversos cavaletes que já faziam parte da paisagem ao longo da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, no Alto da Boa Vista, Tijuca, Grajaú, Vila Isabel, na Zona Norte, desapareceram. A motivação das investigações do TRE foram as campanhas dos candidatos a deputado federal Pedro Paulo (PMDB) e a deputado estadual Lucinha (PSDB), que espalharam placas no bairro de Sepetiba, na Zona Oeste. Como a tiragem declarada era pequena, a responsável pela fiscalização da propaganda, juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, determinou a verificação do endereço da gráfica. No local funcionava apenas um salão de beleza e a empresa de comunicação visual funcionava a pouco metros do endereço oficialmente declarado. No seu parque gráfico foi encontrado um grande volume de material de propaganda política, semelhantes às placas de Sepetiba.

Propaganda da empresa em um perfil do YouTube
Propaganda da empresa em um perfil do YouTube

De acordo com a página da High Leve na internet, a empresa foi criada em 1992, pelos irmãos Pedro e Cláudio Mattos, campeões de voo livre, e tem como clientes o Governo Estadual e a Prefeitura do Rio. Uma propaganda da empresa no canal do You Tube mostra a sua produção para os Jogos PanAmericanos no Rio em 2007. O TRE disse também que a High Level Signs presta serviços para empresas de publicidade contratadas pelo governo estadual e municipal, para os programas Lei Seca, Barreira Fiscal, além de cartazes, placas e adesivos encontrados em vagões dos trens do Metrô e carros oficiais. O nome da empresa consta nas publicações contratuais da Secretaria Estadual da Casa Civil. 

Leia sobre o caso:

>> Procuradoria pode impedir candidatura de envolvidos em suposto desvio de verba 

>> "Candidaturas devem ser impugnadas", diz Itagiba sobre denúncia do TRE

Crise política

O caso envolvendo a gráfica e o material de campanha de candidatos ligados à prefeitura e ao governo do Estado do Rio remete à crise política que vem se instalando no país nos últimos anos.  A publicação originada do Fórum Nacional Brasil: o país das reformas, coordenada pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, faz as seguintes observações:

"Sobre a crise política, em si - problemas da maioria dos partidos: 'geleia geral' (falta de um mínimo de conteúdo programático), o troca-troca (falta de fidelidade partidária) e as 'legendas de aluguel', já citadas, que vendem seu apoio político em troca de vantagens ou mediante pagamento.

O 'faz de conta' dos gastos de campanha ('Partidos fazem de conta que prestam contas e a Justiça Eleitoral faz de conta que toma contas' - ex-Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE do Rio de Janeiro). 

Tags: desvio, dinheiro, eleitoral, high, level, Paes, pezão, PMDB, público

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