Jornal do Brasil

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

Rio

UFA: mau cheiro e escassez de unidades não trazem 'alívio' para os cariocas

Banheiros públicos da prefeitura são alvo de críticas. Mesmo assim, versão feminina está a caminho

Jornal do BrasilFernanda Távora*

Pensado para facilitar a vida dos cariocas, o projeto das Unidades Fornecedoras de Alívio (UFA), modelo de banheiro público da prefeitura do Rio de Janeiro, parece não ter sido aprovado pelos usuários. Ao todo, são 14 unidades do UFA espalhadas pela cidade nos bairros do Largo do Machado, Lapa, Praça XV, Madureira, Praça General Osório, Praça Santos Dumont, Largo do Pechincha e Praça Saens Pena. O mau cheiro e as poucas opções são alvo de críticas.

As UFAs são abertas, sem portas e sem local para lavar as mãos. Construído em aço inox, é um mictório que conta com ligação direta com a rede de esgoto.  Segundo a assessoria, uma válvula especial não permite o retorno do odor das galerias, evitando o mal cheiro. O sistema não utiliza água corrente, o que  facilita a instalação de outras unidades.

Contudo, as UFAS estão longe de ser uma solução para os problemas que a falta de banheiros públicos podem causar na cidade. Na Central do Brasil, onde uma das primeira UFAs foi instalada, em janeiro do ano passado, o problema é bem maior. Com apenas uma unidade, e uma média de 600 mil pessoas que passam por dia pelo local, segundo a assessoria da Supervia, as condições do banheiro ficam complicadas.

“É um mau cheiro horrível. Dizem que tem um sistema feito para que isso não aconteça, mas o cheiro ruim continua”, afirma Victor Lima, que trabalha em uma banca de jornal próxima ao UFA da Central do Brasil. O jornaleiro aponta que a UFA ajuda nas horas de aperto, mas que prefere usar os banheiros de dentro da Central, que são pagos. “Por causa do mau cheiro, prefiro pagar R$1,50”.

Apesar do “quebra-galho”, os principais afetados pela falta de um banheiro público, os motoristas do terminal próximo a Central do Brasil, só tem reclamações. “Quem é rodoviário não tem condições de usar o banheiro. Além de ficar longe da rodoviária, as filas são imensas, sem contar a urina que fica no chão porque não dá vazão”, reclama o motorista Mauricio Cardoso.

“O problema do UFA é que só tem um para muita gente” explica Fernando Costa, que trabalha como despachante no terminal rodoviário da Central. “Quem é motorista só tem um intervalo de dez minutos para usar o banheiro. Se for enfrentar a fila que fica, acaba perdendo a hora”.

O resultado disso é o constante cheiro de urina que fica no entorno da Central do Brasil. “No mínimo tinha que ter mais de dez banheiros. A gente não consegue usar o UFA por causa da fila, os banheiros da Central são pagos. Se o da rodoviária fecha, onde podemos ir?”, conclui o despachante. Há apenas um banheiro público unidade da UFA na Central do Brasil

Na Lapa, onde a circulação de pessoas é intensa durante a noite, há apenas duas UFAs para dar conta da demanda. "É enorme a quantidade de pessoas que vem aqui, por causa da proibição do xixi na rua. Tá sempre esse cheiro. É tanto que chega a pingar", reclama Hugo Adolpho, recepcionista do Detran da Men de Sá.

As duas UFAS ficam localizadas na Avenida Men de Sá, área da Lapa conhecida pelos inúmeros bares, além da proximidade com o Circo Voador e a Fundição Progresso. O número de pessoas durante a noite e aos finais de semana é grande, e não há banheiros químicos nas proximidades. A opção dos frequentadores do bairro fica entre as UFAS e os banheiros dos bares. “Eles podem até limpar, mas a situação continua a mesma, por causa da quantidade de pessoas que circula por aqui”, conclui Adolpho.

Segundo a assessoria da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, responsável pelas UFAs,  a limpeza é feita duas vezes por dia pela Comlurb e que “por se tratar de uma estrutura totalmente à prova d´água, um carro pipa pode ser utilizado para fazer uma limpeza mais completa do mictório”.

No entanto, segundo a assessoria da Comlurb, “os banheiros denominados UFA são limpos conforme a frequência dos locais. O da Central do Brasil é limpo duas vezes por dia, sendo uma vez pela Comlurb e outra pela administração, já que fica em área interna. Uma UFA foi instalada recentemente na Praça Santo Cristo e está recebendo limpeza uma vez por dia, e será reforçada quando houver festa na região". Ainda segundo a assessoria, o custo de limpeza das UFAs já está incluído no valor de limpeza destinado às ruas da cidade.

UFAs femininas

Apesar da situação insuficiente das UFAS para a população masculina do Rio de Janeiro, no início do mês foi anunciada inauguração da versão feminina das Unidades Fornecedoras de Alívio. Ainda em fase de testes, a primeira UFA feminina será instalada na Praça Serzedelo Correia, em Copacabana, zona sul da cidade.

A UFA feminina guarda alguma semelhanças com a versão masculina. Como, por exemplo, as aberturas por baixo, onde é possível ver os pés de quem está usando o banheiro no momento. Por dentro, um pequeno mictório e duas alças, feitas para ajudar a mulher na hora de usar o mictório. 

UFA feminina terá alças e será acoplada com a masculina
UFA feminina terá alças e será acoplada com a masculina

Segundo a assessoria, outras 100 unidades da UFA serão instaladas pela cidade. "A instalação da UFA feminina, que na verdade será dupla - de um lado a masculina e de outra a feminina - tem previsão de 15 dias na Praça Serzedelo Correia, em Copacabana".

* do programa de estágio do JB 

Tags: banheiro publico, conservação, Limpeza, prefeitura, Rio de Janeiro, ufa

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