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Quinta-feira, 21 de Junho de 2018 Fundado em 1891

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Eisa e trabalhadores negociam no MPT os dois meses de salários atrasados

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Na última quinta-feira (7), a Estaleiro Ilha S. A. (EISA) e o Sindicato dos Metalúrgicos (SindiMetal) participaram de uma reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir a situação dos trabalhadores do estaleiro. Eles estão há dois meses em “férias remuneradas", só que sem receber nenhum salário. Segundo o presidente do SindiMetal, Alex Santos, a EISA propôs a suspensão do contrato dos mais de três mil trabalhadores que já estão parados. Segundo Alex, a proposta da empresa vai ser votada em assembleia na próxima terça-feira (12), ao meio-dia, na porta do estaleiro. Neste mesmo dia acontece uma nova reunião no MPT.

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“No MPT, onde a empresa demonstrou suas dificuldades, uma proposta de suspensão foi feita: suspender o contrato por 90 dias e nesse período eles pagariam só o cartão alimentação. Vamos votar em assembleia, mas acho muito difícil a aceitação de tal proposta”, comenta Alex. “As pessoas continuam paradas, sem receber salário nem 1/3 das férias que ainda não foi pago. O plano de saúde está cancelado, a empresa está parada. Não há situação mais difícil para o trabalhador”, completa.

Assembleia dos trabalhadores da EISA, que aconteceu no dia 31 de julho

Trabalhadores da EISA estão em férias coletivas desde o dia 8 de junho, tendo o retorno ao trabalho sendo adiado sistematicamente. O Eisa pertence ao grupo Synergy, do empresário German Efromovich. Omar Peres, conselheiro do grupo está à frente das negociações.

Nesta reunião foi proposto que uma das empresas que tem encomendas ao estaleiro ajudasse a levantar os R$ 40 milhões que a EISA precisa. A Log-in declinou a proposta, dizendo que o que ainda falta ser pago das suas encomendas (sete embarcações avaliadas em R$ 1 bilhão, das quais somente três foram entregues)  será pago como o combinado: com compras de equipamento que a própria Log-in fará. A Eisa já tentou crédito junto à Caixa Econômica Federal (CEF), mas não conseguiu.

Enquanto isso, os funcionários não sabem do futuro e alguns querem se desligar da empresa.

“Estamos entrando com um processo de rescisão indireta, que é bastante demorado. Alguns querem se desligar da empresa, seguir a vida, outros ainda têm esperança”, reflete Alex. Pessoalmente, ele diz que o problema pode ter solução. “Se formos olhar para a carteira de encomendas, com 27 encomendas que totalizam U$ 1,6 bilhão. A empresa está com dificuldade de capital de giro, precisa de um investidor, então há uma possibilidade”, completa. 

O MPT resumiu a reunião: restaram consignadas as seguintes propostas: do EISA à Log In – receber adiantamento de valores das encomendas com a possibilidade de gestão compartilhada dos recursos ou mesmo a administração direta de sua utilização com vistas a viabilizar a conclusão das obras da empresa; do EISA aos trabalhadores – suspensão dos contratos de trabalho pelo prazo máximo de três meses, com o pagamento do Sodexo e garantia de estabilidade por seis meses, e ainda o tratamento dos casos emergenciais de cobertura do plano de saúde, rescisões dos contratos de trabalho para liberação do levantamento do FGTS e recebimento do seguro desemprego dos empregados que assim preferirem, garantida a recontratação preferencial no caso de retomada das atividades."

Completou dizendo que na nova audiência "serão apresentadas respostas às propostas aqui formuladas, considerando-se que os trabalhadores terão assembléia no mesmo dia de manhã, devendo a Log In se manifestar sobre a possibilidade de estudar a proposta ora feita", completou a nota. 

A Log In foi contatada mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A redação não conseguiu contatar a Eisa ou representantes. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval (SindiNaval), comentou que "esse é um problema pontual e que na verdade os estaleiros brasileiros estão vivendo uma fase com muitas encomendas e que os ativos estão valorizados". 

Um comentário da Revista Veja relembra que a empresa estatal venezuelana PDVSA encomendou ao Eisa 10 navios, mas deixou de honrar os pagamentos após o primeiro navio ficar pronto, em 2009. "O maior problema do Eisa foi um grande contrato com a PDVSA", diz o artigo, afirmando ainda que a dívida da Eisa chega a R$100 milhões. 



Tags: cut, efromovich, eisa, metalurgicos, sinaval, sindicato

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