Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Rio

Eisa e trabalhadores negociam no MPT os dois meses de salários atrasados

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Na última quinta-feira (7), a Estaleiro Ilha S. A. (EISA) e o Sindicato dos Metalúrgicos (SindiMetal) participaram de uma reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir a situação dos trabalhadores do estaleiro. Eles estão há dois meses em “férias remuneradas", só que sem receber nenhum salário. Segundo o presidente do SindiMetal, Alex Santos, a EISA propôs a suspensão do contrato dos mais de três mil trabalhadores que já estão parados. Segundo Alex, a proposta da empresa vai ser votada em assembleia na próxima terça-feira (12), ao meio-dia, na porta do estaleiro. Neste mesmo dia acontece uma nova reunião no MPT.

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“No MPT, onde a empresa demonstrou suas dificuldades, uma proposta de suspensão foi feita: suspender o contrato por 90 dias e nesse período eles pagariam só o cartão alimentação. Vamos votar em assembleia, mas acho muito difícil a aceitação de tal proposta”, comenta Alex. “As pessoas continuam paradas, sem receber salário nem 1/3 das férias que ainda não foi pago. O plano de saúde está cancelado, a empresa está parada. Não há situação mais difícil para o trabalhador”, completa.

Assembleia dos trabalhadores da EISA, que aconteceu no dia 31 de julho
Assembleia dos trabalhadores da EISA, que aconteceu no dia 31 de julho

Trabalhadores da EISA estão em férias coletivas desde o dia 8 de junho, tendo o retorno ao trabalho sendo adiado sistematicamente. O Eisa pertence ao grupo Synergy, do empresário German Efromovich. Omar Peres, conselheiro do grupo está à frente das negociações.

Nesta reunião foi proposto que uma das empresas que tem encomendas ao estaleiro ajudasse a levantar os R$ 40 milhões que a EISA precisa. A Log-in declinou a proposta, dizendo que o que ainda falta ser pago das suas encomendas (sete embarcações avaliadas em R$ 1 bilhão, das quais somente três foram entregues)  será pago como o combinado: com compras de equipamento que a própria Log-in fará. A Eisa já tentou crédito junto à Caixa Econômica Federal (CEF), mas não conseguiu.

Enquanto isso, os funcionários não sabem do futuro e alguns querem se desligar da empresa.

“Estamos entrando com um processo de rescisão indireta, que é bastante demorado. Alguns querem se desligar da empresa, seguir a vida, outros ainda têm esperança”, reflete Alex. Pessoalmente, ele diz que o problema pode ter solução. “Se formos olhar para a carteira de encomendas, com 27 encomendas que totalizam U$ 1,6 bilhão. A empresa está com dificuldade de capital de giro, precisa de um investidor, então há uma possibilidade”, completa. 

O MPT resumiu a reunião: restaram consignadas as seguintes propostas: do EISA à Log In – receber adiantamento de valores das encomendas com a possibilidade de gestão compartilhada dos recursos ou mesmo a administração direta de sua utilização com vistas a viabilizar a conclusão das obras da empresa; do EISA aos trabalhadores – suspensão dos contratos de trabalho pelo prazo máximo de três meses, com o pagamento do Sodexo e garantia de estabilidade por seis meses, e ainda o tratamento dos casos emergenciais de cobertura do plano de saúde, rescisões dos contratos de trabalho para liberação do levantamento do FGTS e recebimento do seguro desemprego dos empregados que assim preferirem, garantida a recontratação preferencial no caso de retomada das atividades."

Completou dizendo que na nova audiência "serão apresentadas respostas às propostas aqui formuladas, considerando-se que os trabalhadores terão assembléia no mesmo dia de manhã, devendo a Log In se manifestar sobre a possibilidade de estudar a proposta ora feita", completou a nota. 

A Log In foi contatada mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A redação não conseguiu contatar a Eisa ou representantes. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval (SindiNaval), comentou que "esse é um problema pontual e que na verdade os estaleiros brasileiros estão vivendo uma fase com muitas encomendas e que os ativos estão valorizados". 

Um comentário da Revista Veja relembra que a empresa estatal venezuelana PDVSA encomendou ao Eisa 10 navios, mas deixou de honrar os pagamentos após o primeiro navio ficar pronto, em 2009. "O maior problema do Eisa foi um grande contrato com a PDVSA", diz o artigo, afirmando ainda que a dívida da Eisa chega a R$100 milhões. 

Tags: CUT, efromovich, eisa, metalúrgicos, sinaval, sindicato

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