Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Rio

Rio: Consórcio não comparece a reunião sobre problemas na Linha 4 do metrô

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Engenheiros, representantes do Ministério Público e moradores de Ipanema participaram, na última terça-feira (29), de uma reunião na sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (Seaerj) sobre os problemas nas obras do metrô da Linha 4. De acordo com a Seaerj, o consórcio - formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão - foi convidado para o evento através de um ofício, contudo, não compareceu.

A assessoria da Linha 4 informou, através de nota, que "todos os esclarecimentos sobre o evento de 11 de maio, ocorrido na Rua Barão da Torre, em Ipanema, foram prestados à comunidade". "Além de duas coletivas à imprensa, o Consórcio Linha 4 Sul, responsável pela implantação da Linha 4 entre Ipanema e Gávea, recebeu moradores, síndicos e representantes de associações de moradores em reuniões no canteiro administrativo. Também distribuiu folhetos com perguntas e respostas e divulgou os esclarecimentos nas redes sociais da Linha 4, inclusive com vídeos explicativos, e no Informe bimestral da Linha 4. O Consórcio Linha 4 Sul não participa de debates, mas colocou-se à disposição da presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), para recebê-la no canteiro de obras", informou a assessoria. 

Em maio deste ano, um afundamento no solo provocou o surgimento de duas crateras na obra, entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo. Os moradores queriam explicações do consórcio sobre o que está sendo feito na obra e quais foram as causas do acidente. O Rio Trilhos e o Ministério Público do Estado foram chamados, mas só o  MP compareceu.

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“Nem se queria discutir mais o que causou o problema. O que os moradores queriam era transparência no caso. Queríamos ver qual a nova metodologia adotada, tudo foi feito para isso. Mas no momento em que o consórcio não aparece nem a Rio Trilhos, que também foi chamada, os moradores, muitas vezes leigos, começam a pensar o que quiser, que há riscos, enquanto o consórcio deveria ir lá e simplesmente explicar sua posição”, comenta o conselheiro da Seaerj, Nilo Ovídio, responsável pela parte de eventos.

O engenheiro Fernando Azevedo é morador do bairro e parte do grupo Projeto de Segurança de Ipanema (PSI). Ele estava presente no debate, o qual classificou como “péssimo”. “Estávamos ali esperando esclarecimentos por parte do consórcio e eles não apareceram”, comenta.

O Ministério Público, por sua vez, esteve presente na reunião. Durante o debate, ideias como uma auditoria e termos de ajustamento de conduta foram colocados como possíveis providências a serem tomadas com o apoio do MP.

“Fizemos um debate entre a gente, e solicitamos que o MP peça uma auditoria no gerenciamento de risco. O consórcio está controlando tudo. Vamos tentar exigir junto ao Ministério Público, que se continue com a obra com um plano de gerenciamento de risco, fiscalizado por uma empresa estrangeira. E também fazer um monitoramento em tempo real”. Segundo o morador, eles também foram informados sobre novas técnicas que seriam utilizadas na obra “mas como eles não compareceram, nem Metrô, nem Rio Trilhos, não sabemos que método novo é esse”, completa.

Sobre o tema, a assessoria da Linha 4 diz que "os estudos de sondagens, investigações geológicas e ensaios de caracterização do subsolo que precederam a obra mostraram que o Tunnel Boring Machine (TBM), o 'Tatuzão', é o equipamento mais adequado e seguro para executar este tipo de obra na Zona Sul do Rio de Janeiro. Por este motivo, foi o método adotado e será mantido".

O promotor de Justiça, do Ministério Público do Rio de Janeiro do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), José Alexandre Mota, explicou que foi feito um pedido para que a obra permaneça parada até a análise dos documentos. O MP respondeu dizendo que  não há pedido de paralisação do MPRJ, apenas uma advertência formal para que ao se prosseguir com as obras se adote todas as cautelas necessária. o que o MP recomendou, em apertada síntese, é que para o prosseguimento das escavações com o TBM (Tatuzão) o empreendedor (CL4S) e a Riotrilhos deverão estar munidos de ampla e segura documentação técnica (geotecnia e geologia, por exemplo) que ateste a possibilidade de seguro e regular prosseguimento das obras com aquele equipamento, observando as diretrizes e medidas apontadas naqueles documentos, além de informar ampla, efetiva e constantemente à população (especialmente moradores impactados) sobre os prognósticos e as medidas mitigadoras (ou de contingência). 

>>Resposta do MP: mais documentos serão requisitados; auditoria não é necessária por enquanto

De acordo com a assessoria da Linha 4, esta informação não procede. "A decisão de interromper a escavação do túnel sob a Barão da Torre foi tomada pelo Consórcio Linha 4 Sul, responsável pela implantação da Linha 4 entre Ipanema e Gávea. Isso ocorreu assim que foi constatado o primeiro desnível na superfície da Rua Barão da Torre, em maio. A área foi isolada imediatamente, a escavação, suspensa, e o plano de contingência, acionado. Simultaneamente, através da análise das leituras do monitoramento, verificou-se que não havia nenhum risco para as fundações dos edifícios do entorno, pois se tratava de um evento localizado. Com a área isolada, as cavidades foram preenchidas com concreto e foi iniciado o processo de compactação do solo", diz. 

Ainda segundo a assessoria, as obras da Linha 4 do Metrô (Barra da Tijuca – Ipanema) seguem normalmente. Apenas as escavações do túnel sob a Rua Barão da Torre, em Ipanema, estão interrompidas temporariamente, até que seja concluído o tratamento de solo para devolver a compressão ao subsolo da Rua Barão da Torre próximo à esquina com a Rua Farme de Amoedo.

Tags: consórcio linha 4, ipanema, linha 4, Metrô, Rio, rio trilhos, RJ

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