Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Rio

Justiça nega liminar da defesa e mantém Ray Whelan preso

Pedido da defesa constava no habeas corpus impetrado na prisão temporária de Whelan

Jornal do Brasil

A desembargadora Rosita Maria de Oliveira Neto, da 6ª Câmara Criminal, negou a extensão da prisão preventiva solicitada no habeas corpus impetrado na ocasião da prisão temporária do executivo da Match, Raymond Whelan, por sua defesa. O recurso ainda não foi julgado pela Justiça. Com a negativa, Whelan continua preso no Complexo de Bangu, na Zona Oeste do Rio, acusado de liderar a máfia dos ingressos. Ele se apresentou à Justiça na última segunda-feira, quatro dias após ser considerado foragido, ser preso preventivamente no dia 7 de julho, mas liberado no dia seguinte.  

E a Polícia Civil do Rio vai indiciar Fernando Fernandes, advogado de Raymond Whelan, por favorecimento pessoal. Segundo a polícia, o advogado ajudou o executivo a fugir do Hotel Copacabana Palace, na quinta-feira (10), quando os agentes tentaram cumprir um mandado de prisão preventiva contra o inglês. O delegado titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), Fábio Barucke, disse que o advogado Fernando Fernandes não deverá comparecer à delegacia nesta quarta-feira, conforme marcado anteriormente. De acordo com o delegado, o inquérito será encaminhado à Justiça sem o depoimento do advogado. 

>> A pergunta que não quer calar: quem avisou a Ray da chegada da polícia?

Nesta terça-feira (15/7), a Polícia ouviu funcionários do hotel Copacabana Palace, onde a delegação da Fifa ficou hospedada para a Copa no Brasil, no inquérito que investiga a fuga de Raymond Whelan, após a decretação da sua prisão pela Justiça. Whelan estava hospedado no Palace e saiu por uma porta lateral, usada apenas por funcionários, um hora antes dos policiais chegarem, na última quinta-feira (10). 

Jornal do Brasil adiantou que a Justiça e a Polícia Civil deveriam convocar o Copacabana Palace a prestar explicações sobre a fuga do executivo da Macht Hospitality, empresa parceira da Fifa.

>> Copacabana Palace deve prestar esclarecimentos à Justiça na fuga de Whelan

>> Ray Whelan se entrega à Justiça

A Polícia Civil do Rio de Janeiro já deu partida na segunda fase de investigações sobre o envolvimento de Raymond Whelan com o esquema da Máfia dos ingressos. Whelan, acusado de chefiar uma quadrilha internacional de cambistas, se entregou na última segunda-feira (14) à Justiça e está em uma cela individual no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio. 

A gerente geral do Copacabana Palace deverá depor no novo inquérito para apurar o crime de favorecimento pessoal que teria sido cometido pelo advogado de Whelan, Fernando Fernandes. No momento, três inquéritos diferentes circulam sobre o assunto: um procedimento para alcançar outros integrantes já identificados, porém não qualificados; outro procedimento relativo à lavagem de dinheiro, para apurar o destino do dinheiro ilícito da quadrilha; e o procedimento de apuração de favorecimento pessoal durante a captura no Copacabana Palace – neste último, envolvendo diretamente o advogado de Whelan e os funcionários do hotel.

Whelan estava foragido desde a última quinta-feira (10/7), condenado por cambismo e formação de quadrilha nas investigações da venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo no mercado clandestino. O CEO da Match, empresa parceira da Fifa, teve prisão preventiva decretada na quinta-feira (10) pela Justiça. Contudo, no momento em que os policias da 18ª DP (Praça da Bandeira) chegaram ao Copacabana Palace, onde Whelan estava hospedado com a delegação da Fifa, o executivo havia deixado o hotel cerca de uma hora antes, na companhia do seu advogado Fernando Fernandes.

Na segunda-feira, o segurança do Copacabana Palace prestou depoimento informando que a prática de sair com hóspedes pela porta lateral é uma prática comum no hotel, especialmente quando se trata de figuras famosas ou que sofrem forte assédio da imprensa. O segurança negou qualquer culpa no ocorrido e disse não ter recebido quaisquer ordens específicas. Na segunda, o advogado de Whelan, Fernando Fernandes, foi intimidado a depor, mas não compareceu. Uma nova intimação deverá ser realizada e, caso Fernandes não compareça, a polícia ira entender que o advogado só deseja depor em juízo.

A polícia está reunindo ainda os mais de 200 ingressos da Mash apreendidos com cambistas junto à 12ª DP (Copacabana), à 13ª DP (Copacabana) e à Delegacia de Turismo (Dat). De acordo com a polícia, está sendo feito um ofício solicitando a cópia desses procedimentos.

MP recebeu contrato da Match no último sábado

No sábado passado (12), o Jornal do Brasil  publicou em primeira mão que o Ministério Público do Rio de Janeiro teve acesso a um contrato repassado por Henrique Byron, um dos sócios da Match, justificando os US$ 120 mil dos US$ 600 mil que a Justiça investiga em relação à máfia dos ingressos.

Pelas avaliações do promotor Marcos Kac, a quadrilha trabalhava com o refugo dos ingressos, destinando 30% para a venda oficial, para não chamar a atenção da polícia. "O restante seria negociado no mercado negro - no caso do Mundial deste ano por intermédio de uma quadrilha sob o comando de Lamine Fofana", explicou o promotor. De acordo com Kac, o contrato foi assinado no mês de março e cita o nome de Fofana, preso no dia 1º de julho. O documento aponta a compra de US$ 120 mil em ingressos e está sendo analisado pela Justiça quanto a sua legitimidade, já que se assemelha a uma carta de intenção. Como os ingressos da Copa, principalmente nas fases finais, abrem dúvidas sobre as seleções participantes, os negócios seriam fechados em cima da hora.   

O Jornal do Brasil também revelou na semana passada o Relatório Financeiro da Match referente ao ano de 2012, que detalha um empréstimo da Fifa para a empresa, no valor de US$ 10 mil, sem cobrança de juros e a ser totalmente pago até 2015, a ser empregado na hospitalidade da Copa no Brasil. Kac acredita que contratos dessa natureza deveriam ser avaliados em conformidade com a Lei de Evasão de Divisas. A Federação de futebol, no entanto, ganhou imunidade em diversas questões tributárias e judiciais com a Lei Geral da Copa. A Match tem como sócia os dois irmãos mexicanos Jaime e Henrique Byrom, donos da Byrom PLCE, além de Phillippe Blatter, que detém 5% das ações da Match Hospitalyti.

>> Fifa emprestou, sem juros, US$ 10 milhões a Match para hospitalidade na Copa

Esquema revelado antes da Copa no Brasil

O esquema de corrupção na venda de ingressos para os últimos Mundiais no mercado negro internacional, envolvendo a Fifa, a Comissão Brasileira de Futebol (CBF) e a empresa Match, foi revelado ao Jornal do Brasil uma semana antes da Copa ter início no país, pelo jornalista e escritor britânico Andrew Jennings, que tem uma grande investigação sobre o caso em diversos países. Jeenings é autor dos livros "Um Jogo Sujo" e "Um Jogo cada vez mais Sujo", que revela detalhes do envolvimento da Fifa no esquema internacional de cambismo, que tem como uma das bases o relatório do senador Alvaro Dias para a CPI da CBF, apresentado nos anos de 2000 e 2001. 

A reportagem especial foi publicada no dia 2 de junho, com o título Os bastidores da Fifa nas vendas de ingressos para a Copa no mercado negro. Jennings foi convidado no sábado passado (12) pelo promotor Marcos Kac para contribuir com as investigações no MPE do Rio. O encontro entre promotor e jornalista foi agendado para o próximo mês, em São Paulo. 

Segundo Jennings, Ray Whelan conhece de forma profunda a máfia dos ingressos. "A polícia precisa saber que ele é a melhor testemunha para se chegar ao esquema de corrupção da Fifa", garantiu o jornalista ao Jornal do Brasil no dia 8 de junho, quando o executivo da Match foi detido pelo policiais da 18a. DP (Praça da Bandeira), responsável pelo caso. "Ele [Ray Whelan] negocia há 25 anos os ingressos dos Byroms. Diga aos policiais que ele é o melhor testemunho que jamais poderia chegar ao topo de corrupção da FIFA. Ou será que ele quer gastar os próximos anos em Bangu?", ironizou o jornalista inglês. "Seus policiais vão ser heróis no mundo", complementou.

JB vem acompanhando o caso nos dois últimos meses:

>> Executivo da Match, Ray Whelan foi contratado pela CBF na gestão de Teixeira

>> Jennings sobre Ray Whelan, da Match: "Ele sabe de absolutamente tudo"

>> PGR diz que relação entre Match e Fifa é privada e não tem autonomia sobre ela

>> Máfia dos ingressos: jornalista britânico oferece ajuda à Justiça do Rio

>> Imprensa estrangeira destaca máfia dos ingressos revelado por Andrew Jennings

>> Máfia dos ingressos: PL defende maior transparência nas negociações do futebol

Tags: entradas, Fifa, ilegais, máfia, prisão

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