Jornal do Brasil

Sábado, 21 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Rio

Morte do pedreiro Amarildo completa um ano

Família mandou celebrar missa

Jornal do Brasil Davison Coutinho

Nesta segunda-feira (14), completa um ano do assassinato do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. E mesmo após um ano dessa perda violenta, que fez com que os moradores desacreditassem da UPP, a Rocinha continua sendo lembrada por episódios de violência. Esta noite, novamente, foi marcada por intenso tiroteio na comunidade e moradores ainda denunciam abusos cometidos por policiais nas abordagens.

A família de Amarildo organizou uma missa, às 19h, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. A sobrinha de Amarildo desabafa: "Hoje completa-se um ano que meu tio Amarildo de Souza desapareceu, foi torturado e morto por 'autoridades que teoricamente' estariam em nossa comunidade para nos trazer segurança. A família não vai deixar passar essa data em branco".

Missa foi celebrada na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

A missa de Amarildo foi marcada pelo sentimento de dor e revolta. O padre pregou a solidariedade, o ajudar ao próximo como forma de desapego de si mesmo e incentivou a cuidar dos mais necessitados. Frisou ainda a dura experiência da morte, mas lembrou que devemos sempre nos questionar para saber se estamos valorizando a vida. 

O sacerdote comentou também sobre a violência na Rocinha e citou a guerra onde os pequenos e mais fracos são os que mais sofrem. O advogado da família de Amarildo,   doutor Tancredo, abordou a demora do processo e afirmou que o Estado ainda nega a morte do pedreiro e informou que a situação depressiva da mulher do ajudante de pedreiro é resultado do assassinato. Tancredo afirmou que a família ainda é perseguida por policias da UPP Rocinha. 

A missa contou com a participação de dona Maria de Fátima dos Santos Silva, mãe de Hugo Leonardo dos Santos, morto por policiais da UPP Rocinha em 17 de abril de 2012. Segundo a mãe, Hugo era usuário de drogas, mas nunca foi traficante e não fazia uso de armas. Dona Fátima frisou que o filho era perseguido diariamente por policiais da UPP.

Violência na Rocinha foi lembrada durante a celebração

A mãe do jovem Felipe que foi atingido por policias da UPP Babilônia no último dia 31 de maio esteve presente e afirmou que o filho sofreu tentativa de extermínio e foi preso injustamente. A família e movimentos de favela estão na luta pela liberdade de Felipe. Estiveram presentes também familiares, amigos, moradores e a Rede de comunidades em Movimento contra violência, o coletivo técnico de apoio à s favelas e o Fórum Popular de Apoio Mútuo.



Tags: coutinho, davison, missa, morte, pedreiro

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