Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Rio

Morte do pedreiro Amarildo completa um ano

Família mandou celebrar missa

Jornal do BrasilDavison Coutinho

Nesta segunda-feira (14), completa um ano do assassinato do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. E mesmo após um ano dessa perda violenta, que fez com que os moradores desacreditassem da UPP, a Rocinha continua sendo lembrada por episódios de violência. Esta noite, novamente, foi marcada por intenso tiroteio na comunidade e moradores ainda denunciam abusos cometidos por policiais nas abordagens.

A família de Amarildo organizou uma missa, às 19h, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. A sobrinha de Amarildo desabafa: "Hoje completa-se um ano que meu tio Amarildo de Souza desapareceu, foi torturado e morto por 'autoridades que teoricamente' estariam em nossa comunidade para nos trazer segurança. A família não vai deixar passar essa data em branco".

Missa foi celebrada na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem
Missa foi celebrada na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

A missa de Amarildo foi marcada pelo sentimento de dor e revolta. O padre pregou a solidariedade, o ajudar ao próximo como forma de desapego de si mesmo e incentivou a cuidar dos mais necessitados. Frisou ainda a dura experiência da morte, mas lembrou que devemos sempre nos questionar para saber se estamos valorizando a vida. 

O sacerdote comentou também sobre a violência na Rocinha e citou a guerra onde os pequenos e mais fracos são os que mais sofrem. O advogado da família de Amarildo,   doutor Tancredo, abordou a demora do processo e afirmou que o Estado ainda nega a morte do pedreiro e informou que a situação depressiva da mulher do ajudante de pedreiro é resultado do assassinato. Tancredo afirmou que a família ainda é perseguida por policias da UPP Rocinha. 

A missa contou com a participação de dona Maria de Fátima dos Santos Silva, mãe de Hugo Leonardo dos Santos, morto por policiais da UPP Rocinha em 17 de abril de 2012. Segundo a mãe, Hugo era usuário de drogas, mas nunca foi traficante e não fazia uso de armas. Dona Fátima frisou que o filho era perseguido diariamente por policiais da UPP.

Violência na Rocinha foi lembrada durante a celebração
Violência na Rocinha foi lembrada durante a celebração

A mãe do jovem Felipe que foi atingido por policias da UPP Babilônia no último dia 31 de maio esteve presente e afirmou que o filho sofreu tentativa de extermínio e foi preso injustamente. A família e movimentos de favela estão na luta pela liberdade de Felipe. Estiveram presentes também familiares, amigos, moradores e a Rede de comunidades em Movimento contra violência, o coletivo técnico de apoio à s favelas e o Fórum Popular de Apoio Mútuo.

Tags: Coutinho, davison, missa, morte, pedreiro

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