Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Rio

Argentinos lotam Rodoviária Novo Rio de volta para casa

Agência Brasil

Após invadirem o Rio de Janeiro para acompanhar a final da Copa do Mundo, milhares de argentinos começam a deixar o país. O movimento na rodoviária da capital fluminense é intenso e grandes filas se formaram nas bilheterias em busca de passagem de volta para casa. Ao todo, 39 ônibus estão indo ainda hoje (14) para Buenos Aires. Em dias normais, apenas dois ônibus fazem o trajeto. No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antonio Carlos Jobim, a movimentação também é intensa, e 11 voos extras foram disponibilizados para atender à demanda.

Durante toda a manhã, 250 argentinos passaram pela fronteira entre os dois países, na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado. A previsão é que até quarta-feira (16), 5 mil hermanos passem pela alfândega, e o número deve aumentar até sexta-feira (18). A PRF monitora o fluxo de argentinos que saem do Rio de Janeiro e se dirigem às cidades fronteiriças na Região Sul.

A busca por passagem para Búzios, na Região dos Lagos, também aumentou, já que muitos hermanos moram ou frequentam a cidade. O argentino Damian Roldán, 28 anos, de Chubut, província da Patagônia, não conseguiu passagem aérea para retornar a seu país. Após levar 48 horas para chegar ao Rio, de ônibus, Damian decidiu voltar de avião à Argentina. Enquanto aguarda o dia do voo, escolheu Búzios para esquecer a perda do Mundial.

“Vamos nos refrescar após a derrota com muita caipirinha e mar. Estamos tristes porque não ganhamos o Mundial, mas gostamos muito da recepção dos brasileiros, que foram muito gentis. Só conseguimos passagem para sábado (19). Depois do Rio, chegou a vez de aproveitarmos um pouco outra cidade muito bonita, que é Búzios”, disse ele.

Com a grande procura por passagens para Buenos Aires e outras cidades da Argentina na rodoviária, a espera para ser atendido em um dos guichês de compra chegava a 40 minutos. Sem o mesmo clima de empolgação da vinda, muitos só queriam entrar no ônibus para descansar durante as 42 horas de viagem de volta para casa. Desde a última sexta-feira (11) sem dormir, o estudante Martín Richards, 20 anos, de Buenos Aires, disse que com a derrota seria difícil fazer a mesma festa da vinda ao Brasil.

“Só vamos dormir na viagem, sem nenhuma bagunça. Estamos cansados. Não havia lugar para nos hospedarmos. Quando tinha, era muito caro. Dormimos em uma praça no Leblon, zona sul do Rio. Estamos encantados com o Brasil, é muito lindo”, arrematou.

O estudante de ciências sociais Lautaro Ravicini, 23 anos, de Rosário, chegou ao Rio de Janeiro de ônibus, e não achou a longa viagem cansativa. Após chegar à capital argentina, Lautaro terá mais duas horas de viagem até Rosário. “A viagem de volta vai ser mais triste. Não imaginava que fôssemos perder. Mas valeu a pena vir ao Rio. Foi a melhor Copa de todos os tempos. Os brasileiros foram muito receptivos”, disse.

Apesar do clima de cansaço e tristeza, muitos estavam orgulhosos da atuação da seleção argentina no Mundial e encantados com o Brasil. Em uma fila, um dos poucos grupos de mulheres argentinas esperava a vez para comprar passagens para Buenos Aires. O trajeto dura em média 28 horas. “Poucas mulheres fazem essa viagem por medo do trajeto. Mas os brasileiros nos trataram muito bem. Nos divertimos muito na Fifa Fan Fest de Copacabana, apoiamos a seleção mas infelizmente não ganhamos o Mundial. Vamos encarar esse tempo todo de viagem dormindo, conversando e meditando”, contou a professora Moia Harvey, de 22 anos.

 

Tags: Copa, hermanos, Mundo, Rio, saída

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