Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Rio

TRE tenta impedir lançamento da Frente Popular do Rio de Janeiro

Movimento reúne candidatos do PT, PSB, PV e do PCdoB 

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A coligação formada por Lindbergh Farias (PT) se candidatando ao governo do Rio de Janeiro, com o candidato a vice na chapa, Roberto Rocco (PV), Romário (PSB) ao Senado e a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) à reeleição foi lançada nesta quinta-feira (26), em uma casa de shows na Baixada Fluminense, no movimento intitulado Frente Popular.  

Pouco antes, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) tentaram impedir o encontro, alegando que o lançamento da Frente configuraria campanha eleitoral antecipada. A juíza Daniela Barbosa Assunção, do TRE de São João de Meriti, emitiu ordem para cancelar o ato, alegando que só poderiam estar no local filiados dos partidos envolvidos. Após confusão e entre supostas ameaças de corte do som pelos agentes da justiça, o evento foi realizado com a presença de quase cinco mil pessoas. 

Coligação se apresenta como alternativa a "um governo que não responde mais às necessidades do povo"

A deputada Jandira Feghali questionou a ordem judicial e assumiu a responsabilidade de não assinar o documento do TRE. "Temos que nos manter unidos. Queremos realizar o nosso ato. Estamos sob ameaça de cortarem o som. Se cortarem, vamos fazer no 'gogó'", afirmou a deputada, antes do evento. 

"A gente sabe de onde vem essa provocação, não sabemos?", comentou quando o ato já havia iniciado. Integrantes do PCdoB ressaltavam que o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, promoveu o Aezão com a presença de mais de 60 prefeitos em campanha para o candidato tucano à presidência, e que o TRE não teria considerado “propaganda antecipada”.

Jandira falou ao JB sobre a formação da Frente Popular: "Esta aliança é o que significa hoje a mudança da realidade do Rio de Janeiro. Há hoje uma situação que se esgota, um governo que não responde mais às necessidades do povo fluminense. É um projeto que não é democrático, não é popular, só atende a um pedaço do estado. São projetos que não respondem nem à Baixada nem ao interior, e este polo aqui (Frente Popular) representa uma visão democratizadora, uma visão social abrangente, uma visão popular e uma visão pela esquerda. Este é o outro polo do processo, o polo de mudanças reais para o estado do Rio."

Romário elogiou o "ato generoso" de Jandira Feghali, de retirar sua candidatura ao Senado pelo Rio para que ele próprio se candidatasse. "Esta Frente Popular é uma frente que vai pra frente. Tem condições de tirar o poder das pessoas que passaram a não nos representar mais. Nós estamos aqui para cuidar do povo do Rio de Janeiro, esse é o nosso grande objetivo. Este movimento vai mudar este estado. No Rio, estamos (PSB, PT, PCdoB e PV) de mãos dadas."

Romário também comentou sobre o problema criado pelos fiscais do TRE: "A gente já começou com esse problema. A gente poderia não estar aqui agora, mas a disposição, a fé e a força fizeram com que o encontro fluísse, e de maneira bastante positiva".

O candidato ao governo Lindbergh Farias, por sua vez, ressaltou que a Frente Popular não é uma incoerência, em resposta a comentários recentes sobre as alianças formadas no Estado. "A gente sabe que tem muita gente apavorada com a formação da Frente Popular, mas essa atuação do TRE já foi demais. Hoje, às 4 da tarde, na convenção do PMDB, o TRE foi lá? Não vamos aceitar dois pesos e duas medidas", ressaltou o candidato. "Aqui nós temos uma turma determinada, com garra, e que vai para as ruas, e é com toda essa determinação que nós vamos começar nossa campanha em julho", completou.

Sobre a articulação selada na manhã de domingo (22) no apartamento de Aécio Neves, em Ipanema, com Pezão, Cabral e Cesar Maia, quando ficou definido que este seria lançado ao Senado na chapa, e não Sérgio Cabral, que abriu mão da candidatura, Lindbergh comentou: "Eu fiquei pensando, eu estava feliz, agora estou mais feliz com a escalação do time adversário, sem querer menosprezar, porque eles têm a máquina, o dinheiro. É uma política superada, é um continuísmo."

Lindbergh falou que é fundamental que se coloque a qualidade de vida das pessoas como questão principal e criticou o "nó metropolitano" implantado na Região Metropolitana. "Eles (governo atual do Rio) trabalham como se só existisse o Rio do cartão-postal, Zona Sul e Barra", criticou. Lindbergh falou ainda sobre o projeto de pacificação, que teria gerado um movimento de migração da violência para outras regiões, como São Gonçalo e Baixada: "Eles descuidaram das regiões mais importantes do Rio. (...) Cada cidadão é um cidadão, more ele onde for no Estado do Rio de Janeiro."



Tags: Esquerda, apois, jandira, lindbergh, romário

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