Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Rio

Paes e Pezão na convenção em que Aécio é o grande vitorioso

Jornal do Brasil

Após apelidar de "bacanal eleitoral" a aliança do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando 'Pezão' (PMDB), com o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) para o Senado, na segunda-feira passada (23), o prefeito Eduardo Paes (PMDB) - que sempre atacou o ex-presidente Lula e até chegou a cogitar o seu impeachment na época da CPI dos Correios - trocou elogios e até carinhos com Pezão durante a inauguração de um novo sistema de gestão de resíduo no Complexo da Maré, no subúrbio, na manhã desta quinta-feira (26).

Paes, que sempre se aproximou do PT para ter benefícios no seu governo e até se eleger ao cargo que ocupa atualmente, reafirmou durante a agenda oficial que a sua posição "é muito clara" na atual conjuntura eleitoral e que ele não vota em César Maia. A história de Paes e Maia teve início no primeiro mandato de César Maia como prefeito do Rio, entre 1993 e 1997, na época o ex-prefeito era filiado ao PMDB. Maia apadrinhou Eduardo Paes, nomeando-o "prefeitinho" da Barra da Tijuca. 

Em 2007, Paes teve que se contentar em assumir a Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Laser do governo Cabral, deixando o cargo em 2008, para disputar as eleições para prefeito. Uma manobra política favoreceu Paes, que teve o seu nome lançado ao cargo de prefeito no lugar de Alessandro Molon, que por sua vez perdeu o apoio do PT. Molon havia recebido o apoio do governador Sérgio Cabral e do PMDB, mas em uma reviravolta política essa aliança foi desfeita e Cabral abandonou a chapa para lançar a candidatura de Eduardo Paes.    

Nesse momento, também teve início um cenário de conflito entre Paes e Cesar Maia, tendo como armas as acusações relacionadas a licenças ambientais, prédios em São Conrado entre outras ofensas. Com o apoio do PT, Eduardo Paes se manteve no governo e se posicionou contra o candidato de César Maia. 

Com o apoio do PT e a maioria do governo federal, Paes teve muitas vantagens políticas durante a sua administração, inclusive conseguiu o cargo de prefeito com a ajuda dos petistas. Hoje, há informações seguras que a prefeitura tem grandes déficits e pode não cumprir as exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). Informações que correm no mercado internacional dão conta de que o Rio de Janeiro corre o risco de não sediar as Olimpíadas de 2016. O cenário na cidade, em todos os bairros, demonstram a incompetência da administração pública. Os diários e intermináveis engarrafamentos no Centro e seu entorno, a difícil circulação pelos corredores rodoviários da Barra da Tijuca, uma das principais localidades das Olimpíadas na Zona Oeste, a insatisfação dos professores municipais com as suas precárias condições de trabalho e salários baixos, assim como de outras categorias, como os garis, por exemplo, além dos excessivos custos com a Copa do Mundo são alguns itens de uma longa lista de insatisfação da população, que agora teve a iniciativa de reivindicar os seus direitos nas ruas, ecoando no mercado internacional. 

Apesar do prefeito Eduardo Paes garantir, novamente nesta quinta-feira (26), que o seu posicionamento é o mesmo desde 2008, quando foi eleito com o apoio do PT, o de defender a parceria com o governo federal, ele responsabilizou o partido pelo racha com o PMDB no Rio. Paes disse ainda que não gostou da aliança do seu partido com o movimento Aezão, admitindo que a união não será "boa para a política fluminense". Porém, reiterou o seu apoio à candidatura de Pezão, que já ofereceu o seu palanque à Aécio Neves, adversário da presidente Dilma Rousseff. "Olha aqui como eu cuido da aliança com Pezão", brincou Paes, passando a mão no ombro do governador ao encontrá-lo na comunidade da Maré. Pezão retribuiu a brincadeira: "Por favor, faça isso. Me ajuda ai". Nas alianças do PMDB no Rio, Aécio saiu como grande vitorioso.  

A situação que se configura no atual quadro eleitoral do Rio é de um PT que não conseguiu o apoio do PMDB para o seu candidato a governador, como tinham combinado com Lula. O PT apoiou duas vezes Cabral para se eleger. Já a presidente Dilma recebeu o apoio do PMDB na eleição para a Presidência e ela retribuiu se mantendo fiel à candidatura de Pezão, mesmo que isso represente um rompimento com o seu partido, que realmente lhe deu a legenda. 

Por outro lado, o PMDB decidiu apoiar Aécio Neves (PSDB), e oferecer o Senado para Cesar Maia (DEM), que nos últimos anos se dedica a atacar o governo federal. E com essas evidências, o governador Pezão ainda garantiu nesta quinta (26) que vai manter o seu "compromisso" com Dilma. E justifica: "aliança é assim mesmo, a gente começa acertando. As convenções começam hoje, mas depois nós vamos apertando de um lado, apertando do outro. Vendo o que a gente pode fazer para contar com esse grande apoio". 

O governador reconheceu que a aliança com Dilma Rousseff beneficiou a administração do PMDB no Rio. "Eu não vou cuspir no prato que nós comemos por mais de sete anos. É a maior relação que o estado já teve com o governo federal e eu vou trabalhar pela presidente Dilma". 

Outro ataque de Paes ao PT e mais diretamente ao ex-presidente Lula aconteceu no ano de 2005, quando ele assumia a posição de relator-adjunto da CPI dos Correios, na condição de deputado pelo PSDB. Paes afirmou que havia indícios de que o esquema de corrupção envolvendo os poderes legislativo, executivo e o Partido dos Trabalhadores no chamado mensalão era muito maior do que já foi apurado até aquele momento. Na sua conclusão do caso, Paes definiu o mensalão como pagamentos feitos por "amigos do governo", em datas próximas a votações importantes no Congresso Nacional. "Parte dos pagamentos era feita no varejo, parte no atacado. Era uma espécie de caixa disponível para eventuais necessidades", disse Paes.

Paes chegou a levantar a possibilidade de um impeachment do então presidente Lula. "Se foi pedido o indiciamento de Azeredo [Eduardo Azeredo], também deveria ser pedido o impeachment de Lula. A participação dos dois foi igual", disse Paes no seu relatório. Mas tarde, reconheceu a sua ingratidão e, em nota, pediu desculpas à Lula.

Tags: cabral, eleitoral, maia, Paes, rousseff, senado

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