Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Rio

Alerj aprova 9% de aumento para professores, que não estão satisfeitos

Assembleia para decidir os rumos da greve acontece na próxima sexta-feira 

Jornal do BrasilGisele Motta* e Claudia Freitas

“Temos um grande achatamento salarial. Os 20% que pedimos era emergencial”, comentou Mirna Freire, uma das diretoras do Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) e animadora cultural da rede estadual sobre o aumento de 9% aprovado pela Alerj nesta quarta-feira. O reajuste proposto pelo governo do estado era de 7%, mas depois de reunião com o Colégio de Líderes e lideranças das bancadas o percentual aumentou para 9%.  As negociações com a rede municipal, porém, continuam sem avançar e na tarde desta quinta-feira (26) diversos professores compareceram a Câmara dos Vereadores, pedindo apoio.

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No texto aprovado para os professores do Estado, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) dá fim aos inquéritos administrativos que aconteciam contra os professores. Isso, para Mirna Freire, foi um ponto positivo. “Fomos vitoriosos nessa questão mas, além do salário, continuamos com questões importantes não aprovadas, como a redução da jornada para 30 horas dos funcionários e nossa pauta de ‘uma matricula, uma escola’”, explica a animadora, referindo-se à situação de professores que tem uma matrícula na rede, mas tem que trabalhar em mais de uma escola, normalmente para suprir a falta de profissionais.

O governo se declarou irredutível na questão da eleição direta para diretor, o que os professores consideram prejudicial. “Precisamos que exista de fato um processo democrático, através das eleições, só assim podemos acabar com arbitrariedades cometidas por diretores. Hoje, para escolher o diretor, é feito uma indicação da Secretaria, através de avaliações internas”, completa.

O líder do governo, deputado André Corrêa (PSD), ainda garantiu para a direção do Sepe e no plenário que haverá, até o final de julho, uma audiência com o governador Pezão para discussão de toda a pauta de reivindicações da categoria.

No Complexo da Maré, durante a inauguração de um novo sistema de gestão de resíduo, Luis Fernando Pezão, governador do Rio, disse que iria sancionar o projeto da Alerj, maior do que o proposto por ele. Ele ainda minimizou a greve do estado. “Tem 300 professores em greve, 99,5% do professorada dando aula”. A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) confirmou esse número, informando que no último dia antes do recesso, o número de faltas foi de 187 docentes, menos de 0,3% da rede. Já a Secretaria Municipal de Educação informou que os números variam mas que a porcentagem fica em menos de 1%. Segundo o Sepe, o número de professores da rede estadual em greve chega aos 15% e na rede municipal, supera essa porcentagem.

Suzana Gutierrez, uma das coordenadoras do Sepe, professora da rede municipal, está na Câmara dos Vereadores na tarde desta quinta-feira (26), em busca de apoio. “Estamos fazendo um chamado aos vereadores para que eles possam fazer valer seu exercício profissional, pedindo o mesmo que aconteceu com o estado: fim dos inquéritos administrativos e uma mediação da parte deles para negociação”, comenta. "A rede municipal tem uma carência tremenda de profissionais de educação, esses profissionais estão exercendo um direito de greve", completa. Sobre a questão dos professores em processo de reprovação no estágio probatório, Suzana atualiza que a questão ainda está indefinida, após recurso contra a decisão da Secretaria. 

Sobre indicativo de fim ou continuidade da greve Mirna afirmou que a categoria “só terá uma posição concisa depois da assembleia”, que será realizada na próxima sexta-feira (27). 

*Do Programa de Estágio do JB

Tags: aumento, estado, greve, pezão, professores, Rio, RJ, seeduc, sepe

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