Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Rio

Uenf dá indicativo de fim de greve depois de aprovação de PL governista

Tanto Comissão de Educação quanto sindicato desaprovaram atuação da reitoria nas negociações

Jornal do BrasilGisele Motta * 

"Lamentável" e "desastrosa" foram os adjetivos usados para classificar a atuação da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) nas negociações para aumento de salário dos servidores. Aconteceu nesta quarta-feira (25), na Alerj, a votação do Projeto de Lei 3050/2014, que foi enviado pelo governo do Rio à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e sofreu pedido de emendas pela Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf). As emendas do sindicato caíram e novos itens baseados nelas foram acrescentados, antes do projeto ser aprovado. A insatisfação com a proposta aprovada é do sindicato e também dos integrantes da da Comissão de Educação da Alerj.

O deputado estadual e presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt, classificou como “desastroso” o posicionamento da universidade que, através do reitor Silvério de Paiva Freitas, teve um posicionamento considerado inexpressivo. Através do deputado Felipe Peixoto (PDT), a reitoria propôs apenas duas emendas: uma que trata da antecipação da segunda parcela dos reajustes para janeiro de 2015 para todas as categorias e outra que se refere à equiparação das tabelas dos Técnicos de Nível Elementar, Fundamental e Médio com a Uerj. Em sua fala, o deputado lamentou "a forma desastrosa com que a Reitoria da UENF conduziu o processo de reajuste salarial".

“A reitoria foi inabilidosa. A Comissão de Educação, no seu conjunto de deputados é tida como uma comissão operante. A Comissão esteve mais de dez veze na Uenf, mantendo contato direto e debatendo  e aí vem a reitoria e apresenta  emendas sem debater plenamente com a educação”, completa o deputado, em entrevista ao JB.

Luis Passoni, presidente da Aduenf, também tem críticas à reitoria: “a reitoria da universidade, desde a gestão anterior, age muito mais como uma secretaria do estado defendendo os direitos do governo do que como representante da comunidade universitária. Isso  é lamentável. O que vemos é uma postura entreguista, que dificultou muito o nosso trabalho. Há inúmeros pontos que o reitor não costurou, vendendo barato a universidade”, condena o professor.

Na proposta aprovada, prevalece a tabela salarial enviada pelo governador, Luis Fernando Pezão, que conta com problemas de reajuste salarial diferenciado, com porcentagens entre 19 e 39%. Já no caso dos servidores, foi aprovado uma reposição linear de 19% para todos os níveis, divididos em duas parcelas, como no caso dos docentes. As parcelas serão pagas em julho de 2014 e março de 2015 e não em julho de 2015 como queria inicialmente a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), comandada por Sérgio Ruy Barbosa. Para Passoni, isso não é grande vantagem.

“Foi muito negativo que a gente tenha tido que fazer uma greve, e a Seplag não apresentar nada diferente do que ela apresentou em junho do ano passado. A situação só piorou, porque na época, dizia-se que as parcelas seriam em janeiro de 2014 e 2015 e agora serão em julho 14 e março 2015. Não compreendemos porque até fevereiro  não tinha sido apresentado o Projeto de Lei. Foi necessário uma greve de 90 dias para que fosse apresentado isso. É um descaso muito grande com a educação, especialmente com o interior do estado”, lamenta Passoni.

Apesar da insatisfação, o indício é que a greve deve acabar. “Não vamos continuar em greve, por respeito ao trabalho dos deputados que apoiaram a gente. Vamos fazer uma assembleia semana que vem para discutir e veremos o que será votado. Vamos continuar reivindicando com os deputados, vamos continuar nessa luta, mas provavelmente sem paralisação”, completa o diretor do sindicato.  

O ponto positivo, para Bittencourt, é uma percepção maior sobre a necessidade de unir as negociações das instituições de ensino superior do estado do Rio. “O grande passo que foi dado na questão da Uenf é o amadurecimento do conjunto dos parlamentaras e de setores do poder executivo de começar a trabalhar com um plano único para todos as instituições”,  explica.

Hoje, são cinco instituições de ensino superior do estado: Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo), Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), Uenf e Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). “Todo ano temos que discutir as mesmas questões cinco vezes: discute greve de um, greve de outro, e hoje há um maior amadurecimento para pensar numa gestão unificada”.

O deputado lembra também que, outro ponto positivo é finalmente os servidores da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), terem seus salários equiparados ao da Uenf que, por sua vez, pede equiparação aos salários da Uerj. A disparidade entre salários de professores da mesma titularidade e do mesmo governo foi um dos pontos principais da reivindicação da greve que, com o reajuste dado, continuou sem ser atingindo. 

A assessoria da Uenf foi procurada para se posicionar sobre as críticas mas não respondeu. 

Do programa de Estágio do JB* 

Tags: aduenf, comte bittencourt, greve, luis passoni, professores, reitoria, Rio, RJ, uenf, Uerj

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