Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Rio

Reunião na Alerj resulta em promessa de nova proposta do governo para Uenf

Jornal do Brasil Gisele Motta *

Na última quarta-feira (18) um  projeto de lei que propõe reajuste salarial aos funcionários da Universidade Federal do Norte Fluminense (Uenf) foi enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo governador do Rio, Luis Fernando Pezão. A proposta não foi bem recebida pelos servidores. Semana passada, a categoria propôs emendas, que foram discutidas na tarde desta terça-feira (23) pela Comissão de Educação da Alerj. Porém, não houve acordo sobre quais emendas seriam ou não aprovadas, o que resultou numa nova promessa por parte do governo do estado sobre melhorar a proposta, segundo presidente da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf).

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"Hoje de manhã houve o Colégio de Líderes [grupo que negocia a agenda da assembleia] e nós da Aduenf pudemos participar e defender as nossas reivindicações. Porém, como não houve um acordo sobre as emenda - foram 39-, a Comissão de Educação junto com o secretário de Planejamento e Gestão do estado [Sérgio Ruy Barbosa] entraram em uma reunião para discutir o assunto", explica o presidente da Aduenf, Luis Passoni. Segundo ele, não foi permitido que o sindicato participasse dessa segunda reunião. 

Ele ainda afirma que a negociação, em nenhum momento foi feita com o governo, sendo sempre através da Assembleia Legislativa. "Não houve de fato negociação. Fizemos pressão, reivindicamos e o governo ofereceu esse reajuste do 19-39%". A categoria pede reposição salarial de 86,7%, prevendo o regime de dedicação exclusiva da UERJ, que corresponde a 65% do salário dos docentes da Universidade e reajustes relativos à inflação. Uma das principais pautas dos docentes é a equiparação dos investimentos entre Uerj e Uenf, as duas universidades do estado. A proposta  do governo dá o reajuste parcelado, até julho de 2015, e cada tipo de professor recebe uma porcentagem diferenciada, que varia entre 19 e 39%. 

Luis espera que, dessas reuniões, saia uma proposta que realmente contemple o que os professores pedem. "Eu tenho esperança que pelo menos o reajuste seja dado em uma única parcela, ainda esse ano, e que ele seja igualitário e também que ele chegue mais próximo do que pedimos", comenta ele referindo-se ao problema gerado por um aumento diferenciado para professores e funcionários.

Além dos problemas que um reajuste diferenciado pode gerar entre os servidores, a universidade enfrenta um problema de manter e contratar funcionários. "Esse reajuste [baixo] deixa a carreira desinteressante. A progressão da carreira da Uenf exige esforço de orientação de doutorado e mestrado, é realmente uma carreira muito exigente e se não tiver estimulo tememos que haja acomodação",pondera.  "Os salários da Uenf são defasados em questão aos da UERJ. Precisamos de um índice que nos permita contratar professores. Hoje em dia a universidade tem o pior salário do Brasil. Nós abrimos concursos e simplesmente não tem candidatos", completa. 

O presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt, também foi procurado para comentar o caso, mas não respondeu. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) esclarece que está analisando as emendas propostas ao projeto de lei da UENF, que está em tramitação na Alerj.

* Do programa de Estágio do JB



Tags: alerj, comissão de educação, pezão, proposta, reunião, uenf

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